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Judeus e palestinos dividem leitos no maior hospital público

Judeus e palestinos dividem leitos no maior hospital público

Atualizado: Quarta-feira, 30 Novembro de 2011 as 9:26

Na sala de espera da emergência do Hadassah, em Jerusalém, homens de quipá, chapéu usado como símbolo da religião judaica, aguardam ao lado de mulheres trajando véus islâmicos. Maior instituição de saúde pública da capital israelense, o hospital funciona como uma espécie de área neutra em meio ao conflito que separa os dois povos há décadas.

“Não há nenhum tipo de restrição. Nós tratamos todos sem distinção de nacionalidade, religião, origem étnica ou gênero”, diz o diretor de Relações Externas, Ron Krumer. Por ano, são cerca de 1 milhão de atendimentos nas duas unidades, entre atendimentos internos e externos, exames e emergências - o que valeu à instituição uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 2005.

Entrada do hospital Hadassah, maior instituição de saúde pública de Jerusalém, em Mount Scopus (Foto: Amauri Arrais / G1)

Fundado pela organização Hadassah Internacional, o hospital é mantido pela iniciativa privada e mantém a maior parte dos serviços abertos ao público, de acordo com as regulações do Ministério da Saúde israelense. “Nós também mantemos consultas particulares em nossas duas unidades”, explica o diretor.

Para alguns dos usuários ouvidos pelo G1 , que visitou a unidade do hospital no bairro de Mount Scopus, o preço pago pelo serviço nem sempre é justo. “Nada é de graça em Israel”, reclamou Fadi, de origem árabe. Morador do bairro árabe de Beit Hanina,ele acompanhava um padre que sofreu um ataque cardíaco e teve de ser atendido às pressas.

Interior da emergência do hospital Hadessah, que

atende a judeus e palestinos em Jerusalém

(Foto: Amauri Arrais / G1) Como no bairro árabe de Jerusalém “há apenas uma maternidade”, o hospital é uma das únicas opções viáveis. “Não há muitas opções em Israel. Aqui, parte dos tratamentos são cobertos pelo seguro, outros não”, afirma Fadi, que disse ter pago cerca de 200 shekels (R$ 98) pela ambulância.

Mesmo considerando “99%” dos serviços do hospital como bons, ele também critica que poucos profissionais no local falam árabe, “por isso o atendimento é diferente”.

A mesma reclamação é feita pelo autônomo Zemm, palestino que aguardava a mãe, internada com uma crise de hipertensão, receber alta. Segundo ele, mesmo algumas enfermeiras e médicos que falam árabe evitam falar no hospital, o que ele classifica como “um tipo de discriminação”. Assim como Fadi, o autônomo também afirma que, “de maneira geral”, o hospital oferece bons serviços para todo tipo de pessoas, "incluindo as que chegam sem documentos" ou do outro lado do muro que separa Jerusalém dos territórios palestinos –os casos de emergência de saúde são uma das exceções para cruzar a barreira erguida por Israel em 2002.

Questionado sobre a gratuidade dos serviços, Zemm afirmou que “nas primeiras horas tudo é gratuito, mas, dependendo do caso, o serviço é cobrado mesmo para quem tem seguro médico”.

Treinamento contra terror

De acordo com a direção do hospital, todos os residentes em Israel (não apenas os cidadãos israelenses) têm seguro médico, conforme a lei local de seguro de saúde. Para tanto, é cobrada uma taxa entre 4% e 5% da renda mensal.

“Isso permite a todos o acesso aos serviços médicos israelenses em hospitais públicos. Existem políticas de saúde adicionais de seguro que são fornecidos por quatro fundos para doentes e companhias de seguros”, explica o diretor de relações externas.

Segundo o hospital, não existe nenhuma política interna do hospital referente à língua utilizada pelos profissionais de saúde, que recebem treinamento em atendimento em casos de ataque terrorista.        

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