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Líbios que chegarem à Itália serão mandados à Alemanha e França

Líbios que chegarem à Itália serão mandados à Alemanha e França

Atualizado: Terça-feira, 22 Fevereiro de 2011 as 4:30

Umberto Bossi, líder da Liga Norte e membro do governo do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, declarou nesta terça-feira que se chegarem imigrantes da Líbia "os mandaremos à Alemanha e França", perante a possibilidade que cidadãos líbios tentem alcançar as costas da Itália pela instabilidade política.

"Enquanto não chegam, vamos esperar que não cheguem", disse Bossi ao ser questionado pelos jornalistas sobre a postura da Itália perante a situação da incerteza que atravessa a Líbia.

"Esperamos ordens da Europa", assegurou. O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, assegurou, no entanto, que já foram localizados três estabelecimentos militares nos quais se poderiam abrigar futuros imigrantes que chegarão da Líbia e Magrebe, instalações que seriam controladas por militares italianos.

Perante a situação de máxima alerta no norte da África, o ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, decidiu convidar seus colegas europeus do Mediterrâneo a reunir-se na próxima quarta-feira em Roma para abordar o possível aumento de fluxo de imigrantes do norte da África rumo à Europa.

O aumento no fluxo de imigrantes ilegais em direção à ilha de Lampedusa registrado no fim de semana dos dias 11 a 13 de fevereiro fez com que o governo italiano decretasse o "estado de emergência humanitário" no sul da Itália e que exigisse à União Europeia a convocação urgente de um Conselho Europeu do mais alto nível.

Itália pediu, além disso, à Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) que se destinem 100 milhões de euros para enfrentar a emergência e um novo papel operacional do Frontex, a agência europeia das fronteiras, para que disponha de meios próprios para controlar os limites fronteiriços.

Mundo árabe em convulsão

A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Ali e do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafi foi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.    

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