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Líder do Hamas viaja a Istambul para provável reunião com Abbas

Líder do Hamas viaja a Istambul para provável reunião com Abbas

Atualizado: Quarta-feira, 22 Junho de 2011 as 11:33

O líder do movimento islâmico Hamas, Khaled Meshaal, viajou para Istambul nesta quarta-feira (22), onde deve se reunir com o presidente palestino e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, para acertar a formação do novo Governo palestino.

Foi o que manifestou o responsável do Fatah pelo diálogo com o Hamas, Azzam al Ahmad, em declarações de Istambul à rádio "A voz da Palestina". "Pode ser que haja um encontro na Turquia. Tentamos organizar um encontro em Istambul antes que nós dois (ele e Abbas) cheguemos à Turquia", disse. Ahmad, que acompanha Abbas em uma viagem internacional, disse que o assunto "não foi discutido com a parte turca".

Após acertar no último dia 3 no Cairo um acordo de reconciliação que pôs fim a quatro anos de enfrentamentos, as duas principais facções palestinas, Fatah e Hamas, encontram dificuldades para a formação do Governo conjunto, em particular por divergências sobre a figura do primeiro-ministro. O novo Executivo ia ser anunciado na terça-feira na capital egípcia, mas a reunião foi adiada por divergências entre as partes.

O Fatah quer que o Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) continue liderado por Salam Fayyad, um economista que conta com o apoio do Ocidente e aposta pela resistência não violenta perante a ocupação israelense. Abbas espera que a nomeação de um homem com fama de moderado e respeitado em Washington e nas capitais europeias permita evitar o isolamento ou possíveis sanções a um Executivo com os islâmicos. Israel, EUA e a UE consideram o Hamas uma organização terrorista e exigem ao grupo desde 2006 que cumpra as condições do Quarteto de Madri (formado por ONU, EUA, UE e Rússia): reconhecer o Estado de Israel e os acordos assinados entre israelenses e palestinos, além de renunciar à luta armada. O documento de fundação do Hamas rejeita a existência de Israel, mas o programa do Governo que lidera em Gaza inclui a criação de um Estado palestino nos territórios que Israel ocupa desde 1967 (Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental). Fayyad é também a opção de 45% dos palestinos na Cisjordânia e em Gaza, enquanto 22% apoiam o candidato islâmico Jamal Khoudari, segundo uma pesquisa publicada na terça-feira pelo Centro de Políticas e Pesquisas de Ramala. O Hamas descarta a opção de Fayyad, ex-alto funcionário do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), por considerar-lhe responsável pela divisão palestina.

Ahmad disse que estão sendo realizados "esforços árabes e regionais para convencer o movimento Hamas a aceitar Fayyad como primeiro-ministro do novo Governo". O primeiro-ministro disse na noite de terça-feira na sede presidencial em Ramala que não quer nem deve ser "um obstáculo para a reconciliação palestina", embora não tenha renunciado ao posto, como se pensava que podia suceder para desbloquear a situação, segundo a agência palestina "Maan".

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