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Líder iemenita diz que deixa cargo só se perder eleição

Líder iemenita diz que deixa cargo só se perder eleição

Atualizado: Segunda-feira, 21 Fevereiro de 2011 as 11:31

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, no poder desde 1978, disse hoje que apenas uma derrota nas eleições fará com que deixe o cargo. O pronunciamento foi feito após alguns parlamentares se unirem ontem aos milhares de manifestantes na capital, Sanaa, pedindo sua saída. "Se eles querem que eu renuncie, eu o farei apenas por meio das urnas", disse Saleh durante uma entrevista coletiva. "A oposição está elevando o nível de suas demandas, algumas das quais são ilícitas."

No sul do país, policiais mataram a tiros um manifestante, identificado como Ali al-Khalaqi, na capital regional, Áden, onde os protestos já resultaram em 12 mortes e dezenas de feridos desde a última quarta-feira nessa cidade, segundo médicos e testemunhas. Saleh disse que os protestos "não eram novos" e acusou os opositores de estarem por trás das manifestações.

O Fórum Comum, uma aliança de grupos da oposição parlamentar, pediu em comunicado ontem a todos os partidos que "se unam aos jovens manifestantes em seus protestos contra a opressão, a tirania e a corrupção".

Mais cedo neste mês, Salleh pediu a retomada do diálogo com os políticos do país, paralisados desde outubro. Desde então, a oposição parlamentar evita convocar protestos. No entanto, "após o banho de sangue e a queda das vítimas, e após o governo enviar seus assassinos às ruas, nós insistimos que não há diálogo com balas e paus" e com um regime que "leva assassinos para ocupar espaços públicos e aterrorizar as pessoas".

O Iêmen, país que sofre com a pobreza, enfrenta protestos cada vez mais violentos, apesar dos pedidos de diálogo de Saleh - reeleito para mais sete anos no poder em setembro de 2006. O presidente propõe a formação de um governo de união nacional. O veterano líder, de 64 anos, disse que não pretende buscar a reeleição em 2013, quando deve concluir seu sétimo mandato.

Clérigos do Iêmen emitiram um comunicado hoje proibindo o uso da força contra os manifestantes. Eles qualificaram essas ações como "um crime" e pediram o fim das prisões arbitrárias e da tortura.    

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