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Líder rebelde volta atrás e diz que Gaddafi deve deixar a Líbia

Líder rebelde volta atrás e diz que Gaddafi deve deixar a Líbia

Atualizado: Segunda-feira, 4 Julho de 2011 as 5:19

O líder rebelde líbio Mustafa Abdel Jalil, que chefia o Conselho Nacional de Transição (CNT), voltou atrás nesta segunda-feira e disse que só há saída para a crise com a renúncia de Muammar Gaddafi e sua retirada do país. No domingo, ele havia dito que o ditador poderia ficar na Líbia, sob supervisão, caso renunciasse ao poder.

"Gaddafi só tem uma opção: abandonar o poder e submeter-se à Justiça", afirmou em comunicado.

No domingo, logo após a divulgação de que o CNT estaria disposto a permitir que o ditador ficasse no país caso abandonasse o poder, dezenas se reuniram diante da sede dos opositores em Benghazi, numa rara demonstração de contrariedade à liderança rebelde.

De acordo com fontes do CNT, no momento os opositores dividem-se entre a ala mais radical, que não aceita negociar e só vê saída com a retirada do ditador, e os membros do antigo regime que pressionam para o início de um diálogo com Gaddafi.

DECLARAÇÕES DESENCONTRADAS

O chefe dos rebeldes da Líbia disse no domingo que Gaddafi foi convidado a ficar no país desde que renuncie formalmente e aceite a supervisão internacional de todos os seus movimentos.

Abdel Jalil --ex-ministro da Justiça de Gaddafi-- afirmou que fez a proposta há cerca de um mês, por meio da ONU (Organização das Nações Unidas), mas ainda não recebeu qualquer resposta da capital Trípoli.

"Como solução pacífica, oferecemos que ele pode renunciar e ordenar seus soldados que deixem seus quartéis e posições, e então ele pode decidir se vai ficar na Líbia ou viajar para outro país," afirmou.

"Se ele desejar ficar na Líbia, determinaremos um lugar e será sob supervisão internacional. E haverá supervisão internacional de todos os seus movimentos," disse.

Ele acrescentou: "Fizemos essa proposta por meio de um enviado da ONU. Não recebemos resposta." Ele disse que o conselho rebelde acredita que Gaddafi pode ser mantido em um quartel militar ou em um "prédio civil" na Líbia, mas não deu detalhes.

Não houve resposta imediata de Trípoli aos comentários de Abdel Jalil, mas Gaddafi até agora não deu sinais de que vai recuar. Ele diz ser o líder legítimo da nação e não deixará Trípoli sem lutar.

O conflito aparenta estar em um impasse militar e político, apesar de medidas das potências internacionais para intensificar os bombardeios contra instalações de Gaddafi em todo o país.

Com a guerra se arrastando pelo quinto mês, alguns países agiram para tentar mediar uma solução que seria boa para os rebeldes e o governo. Até agora, essas iniciativas falharam.

VISÃO DOS REBELDES

Abdel Jalil conseguiu o respeito de muitos líbios do leste do país pela oposição a Gaddafi, devido ao tratamento rígido que o líder dá a seus oponentes políticos.

Ele renunciou de seu posto ministerial no começo da revolta, quando viu o uso excessivo de violência sobre os manifestantes que protestavam contra Gaddafi.

Visto também como um "construtor de consenso," que já tinha anteriormente inclinação para negociações, ele afirmou que a autoridade rebelde foi escolhida para dar uma chance para que as conversas fluíssem.

"Nós saudamos soluções políticas para acabar com o derramamento de sangue e evitar maiores devastações e danos para o país," disse. "Mas, se não acharmos solução, vamos nos concentrar em ações militares."

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