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Lideranças mundias pregam no Rio respeito para fim de conflitos

Lideranças mundias pregam no Rio respeito para fim de conflitos

Atualizado: Sexta-feira, 28 Maio de 2010 as 3:36

Lideranças internacionais reunidas no terceiro fórum Aliança de Civilizações das Nações Unidas, que ocorre nesta sexta-feira (29) no Rio de Janeiro, fazem coro no discurso pela eliminação da discriminação e no respeito às diferenças, culturais e religiosas, para o fim de conflitos. O fim da pobreza também é um ponto abordado no fórum como meio de evitar que a miséria seja instrumento para grupos extremistas ou criminosos.

Para o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Ban Ki-moon o trabalho da aliança é iniciar a busca pelo fim do embate entre as diferenças. Ele citou sua vida em seu país de origem, a Coreia, para dar exemplo de que a união deve superar as visões diferentes que os povos têm um dos outros.

- Na superfície pode parecer que venho de um mundo diferente. Fui educado durante a guerra e tivemos de reconstruir um país. Fui testemunha do resultado [da reconstrução]. É uma parte de quem sou. 

De acordo com o secretário-geral, dois terços dos conflitos no mundo são causados por divergências religiosas e culturais.

- Às vezes vemos minorias religiosas com temor, como se tivéssemos de nos opor. Temos de trabalhar isso. Um mundo de alianças tem de ir para frente. Temos de deixar de lado os estereótipos, os rótulos.

O primeiro ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, citou o Alcorão, a Bíblia e o Antigo Testamento para dar exemplo de que diversas religiões pregam a harmonia e não a opressão, para defender o respeito às diferenças.

- O profeta sagrado do Islã, Mohamed, disse que nenhum árabe tem superioridade sobre outro árabe. Isso também vale para os brancos sobre os brancos, os negros sobre os negros. Está nos quatro livros sagrados, ‘olha para os outros como olha a si mesmo’.

Erdogan também falou de estereótipos em relação ao Islã. “Terrorismo e islamismo são palavras opostas, não se caracterizam entre si. Ataques em Estambul e na Espanha também são ataques ao islamismo”, disse.

Em um discurso mais agressivo, a elegante sheikha Mozah bint Nasser, do Catar, próximo país a sediar o fórum, em 2011, lembrou do muro que cerca a faixa de Gaza para falar das dificuldades de pregar o respeito a diferenças em situações onde já há o conflito.

- Não posso deixar de lembrar dos meus amigos em Gaza, cercados, ameaçados, que não podem fazer nada de humanitário. O que aquele muro representa de igualdade? O que teremos de um jovem que quer estudar mas vê o material básico para isso ser proibido [de atravessar o muro]?

Por Carolina Farias

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