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Londres prende criador do WikiLeaks

Londres prende criador do WikiLeaks

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 11:02

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi detido ontem pela polícia de Londres. A Scotland Yard anunciou que estava cumprindo uma ordem de prisão por "crimes sexuais" cometidos na Suécia. O site, porém, disse que o fato não afetará a divulgação dos 250 mil documentos secretos que têm irritado os EUA.   "O WikiLeaks continua operando", disse Kristinn Hrafnsson, porta-voz do site. "Nada que envolva Assange mudará os planos." Pela manhã, depois de se apresentar em uma delegacia, Assange, de 39 anos, foi levado para uma audiência no tribunal de Westminster, onde ouviu as quatro acusações contra ele.

Segundo o juiz Howard Riddle, uma mulher identificada como "Miss A." o acusou de "coerção ilegal". A mulher não foi identificada na audiência, um procedimento normal em casos de crimes sexuais na Suécia, mas a imprensa britânica, que já teve acesso ao boletim de ocorrência, afirma se tratar de uma loura de 31 anos, feminista radical, que já foi expulsa de Cuba por atividades subversivas. Segundo ela, Assange "utilizou o peso de seu corpo para imobilizá-la na cama".

A segunda acusação é a de que Assange "abusou sexualmente" da mesma "Miss A." ao praticar sexo sem preservativo, mesmo depois de ela ter pedido que ele usasse um. A mesma "Miss A." o acusa ainda de ter "deliberadamente abusado dela sexualmente" três dias depois.

A quarta ofensa refere-se a uma segunda mulher, identificada como "Miss W.", que o acusa de ter mantido relações sexuais, sem preservativo, enquanto ela dormia. A segunda vítima, de acordo com a imprensa britânica, seria uma fotógrafa de arte, de 27 anos, completamente fascinada por Assange.

Fiança negada. O juiz Riddle negou o pedido de libertação sob fiança de Assange. O jornalista australiano John Pilger, o cineasta Ken Loach e a socialite Jemima Khan se ofereceram para pagar a fiança do fundador do WikiLeaks - cada um teria oferecido cerca de US$ 30 mil.

"Há indícios substanciais de que ele poderia fugir se obtiver a liberdade", justificou o juiz, que determinou que Assange permaneça detido até o dia 14, quando deve prestar novo depoimento.

Mark Stephens, advogado de Assange, afirmou que seu cliente é inocente e as acusações são politicamente motivadas. Ele disse que o fundador do WikiLeaks travará uma batalha legal para não ser extraditado para a Suécia.

A promotora sueca Marianne Ny, que expediu o mandado de prisão, negou que houvesse pressão ou que as acusações tivessem relação com os documentos secretos. "Quero deixar claro que não fui posta sob nenhum tipo de pressão, política ou qualquer outra", disse Marianne.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, que está em visita oficial ao Afeganistão, demonstrou satisfação com a prisão de Assange. "É uma boa notícia", disse. Para Washington, o caso é um assunto bilateral entre Estocolmo e Londres. "Nossa investigação continua. A prisão, nesta etapa, é um assunto entre Grã-Bretanha e Suécia", disse Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado.

Ontem, o fundador do WikiLeaks recebeu apoio de um grupo de intelectuais de seu país, a Austrália, e do filósofo americano Noam Chomsky, que assinaram um pedido para que o governo australiano defenda Assange, que até agora tem sido criticado por autoridades do país.    

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