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Lula critica papel dos EUA em Israel

Lula critica papel dos EUA em Israel

Atualizado: Terça-feira, 21 Dezembro de 2010 as 10:25

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que não acredita em um acordo de paz no Oriente Médio enquanto o principal mediador do diálogo entre israelenses e palestinos for o governo dos EUA.

"Estou convencido que não haverá paz no Oriente Médio enquanto os EUA forem o tutor da paz", disse Lula. "É preciso envolver outros agentes, outros países, para poder negociar a questão da paz no Oriente Médio. Não é uma questão dos americanos." Os EUA atuam como mediadores das conversas de paz entre Israel e a Autoridade Palestina (AP). O diálogo direto foi iniciado em setembro, mas não avançou por causa da retomada das construções em assentamentos nos territórios ocupados.

Lula tem defendido um papel mais atuante do Brasil no processo de pacificação do Oriente Médio. Em maio, o presidente visitou o Irã para tentar mediar um acordo sobre o programa nuclear de Teerã. As potências ocidentais suspeitam que o programa iraniano tenha objetivos bélicos - acusações negadas pelo governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. O presidente brasileiro lembrou que a conversa com o líder iraniano levou em conta os termos de uma carta enviada a ele pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

Troca de combustível. O Brasil e a Turquia tentaram mediar um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã, para evitar a imposição de sanções ao país. No entanto, o acordo não impediu que as potências ocidentais seguissem pressionando por novas sanções ao Irã.

Lula disse que o único motivo pelo qual o acordo não foi aceito pela comunidade internacional é porque Brasil e Turquia estariam interferindo em um assunto que não caberia a países emergentes. "Mesmo assim, os países do Conselho de Segurança resolveram punir o Irã. Por quê? A única explicação é que era preciso punir o Irã porque o Brasil e a Turquia tinham se metido numa seara que não era a de país considerado emergente", afirmou.

Lula disse também que a forma como as pessoas estão sendo tratadas por lá, não haverá paz no Oriente Médio.

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França e EUA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções contra Teerã.

Reforma da ONU. O presidente Lula voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, não só para que o Brasil participe, mas porque o conselho não representa a geopolítica do século 21, mas sim da 2.ª Guerra. Ele defendeu a reforma na ONU "para que não seja um clube de amigos, mas uma instituição multilateral que tenha voz ativa para resolver os problemas no mundo como a crise no Oriente Médio".    

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