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Mais dois ministros do governo interino da Tunísia renunciam

Mais dois ministros do governo interino da Tunísia renunciam

Atualizado: Terça-feira, 1 Março de 2011 as 11:15

Mais dois ministros renunciaram nesta terça-feira (1º) no governo interino da Tunísia . Saíram os titulares de Ensino Superior e Pesquisa, Ahmed Ibrahim, e de Desenvolvimento Regional e Local, Ahmed Nejib chebbi.

"Apresentei minha renúncia ao primeiro-ministro", declarou à AFP Ahmed Ibrahim, líder do partido Ettijadid (antigo partido comunista).

Ibrahim declarou ter convicção de que pode servir mais à revolução fora do governo.     Chebbi, líder do Partido Democrático Progressista (PDP), anunciou a demissão em uma entrevista coletiva concedida em um hotel de Túnis.

Na véspera, outros dois ministros do contestado governo provisório haviam saído, cedendo às exigências de manifestantes para que todos os membros do antigo regime sejam expurgados do atual gabinete.

A Bolsa de Valores de Túnis anunciou a suspensão das suas operações 'a fim de proteger as economias investidas em títulos', numa medida que reflete a instabilidade que continua dominando o país desde a rebelião que depôs o líder Zine al Abidine Ben Ali, em janeiro.

No domingo, o primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi, que já ocupava esse cargo sob o comando de Ben Ali, também renunciou. Depois disso, os titulares das pastas de Indústria e Tecnologia, Mohamed Afif Chelbi, e do Planejamento e Cooperação Internacional, Mohamed Nouri Jouini, passaram a ser os únicos remanescentes do governo de Ben Ali.     A agência estatal de notícias TAP anunciou primeiro a renúncia de Chelbi, e horas depois a de Jouini. Não foram dadas explicações para as demissões, nem citados nomes de substitutos.

Ben Ali, que passou 23 anos no poder, fugiu para a Arábia Saudita diante da onda de protestos que se espalhou depois para o mundo árabe. O governo provisório que o substituiu continuou enfrentando manifestações, algumas delas violentas.

Ghannouchi foi substituído por Beji Caid Sebsi, que havia sido chanceler do país no governo de Habib Bourguiba, primeiro presidente da Tunísia pós-independência.

Movimento islâmico é legalizado

O movimento islamita tunisiano Ennahda, reprimido durante o regime de Ben Ali, foi legalizado 30 anos depois da fundação, informou à France Presse o porta-voz oficial do partido, Ali El Aryadh.

"A autorização foi entregue pelo ministério do Interior a Nuredin Bhiri, membro do gabinete executivo do movimento", disse Aryadh.

O Ennahda (Renascimento) foi fundado en 1981 por Rashed Ghanuchi e intelectuais inspirados pela Irmandade Muçulmana, do Egíto.

No início da era Ben Ali, em 1987, o Ennahda havia sido tolerado e obteve 17% dos votos nas eleições legislativas de 1989.

Depois, o Ennahda sofreu uma dura repressão e, na década de 1990, quase 30 mil militantes e simpatizantes foram detidos.

ashed Ghanouchi, fundador do movimento, passou 20 anos exilado em Londres, antes de retornar à Tunísia poucos dias depois da queda de Ben Ali.    

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