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Membro da Irmandade Muçulmana vai disputar presidência do Egito

Membro da Irmandade Muçulmana vai disputar presidência do Egito

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 11:50

Um membro sênior da Irmandade Muçulmana do Egito vai tentar concorrer à presidência como candidato independente, uma decisão que pode atrair simpatizantes do grupo islâmico que tinha anunciado anteriormente que não planejava concorrer.

Grupos seculares e o Ocidente estão preocupados com o poder que a Irmandade pode ganhar nas primeiras eleições desde a queda do ex-líder Hosni Mubarak. Décadas de regime autoritário limitaram o desenvolvimento de rivais potenciais pelo cargo.

Integrantes da Irmandade Muçulmana durante o anúncio de que concorreria em eleições legislativas, no último dia 30, no Cairo (Foto: AFP)

  O maior movimento islâmico do Egito tentou minimizar os temores ao dizer que não iria concorrer à presidência na eleição marcada para o início do próximo ano, nem buscaria a maioria no parlamento, garantindo que ia disputar apenas a metade das vagas.

No entanto, Abdel Moneim Abul Futuh, um dos líderes do grupo e reformista, disse: 'Vou concorrer como um candidato independente nas eleições presidenciais. Não sou membro de nenhum partido'.

Abul Futuh disse que a sua decisão não significa que a Irmandade voltou atrás nas suas declarações. 'A Irmandade como um grupo não está competindo pela presidência e agora está separando os seus mandatos, uma definição que eu pedi quatro anos atrás', disse, referindo-se a um novo partido político que a Irmandade criou.

Sob o regime de Mubarak, o grupo apresentou candidatos como independentes em eleições, driblando a proibição a suas atividades políticas e mantendo uma organização nacional que outros grupos não tinham.

O conselho militar, que está no governo até a eleição do novo presidente, disse que o Egito não vai se transformar em uma teocracia similar a do Irã.

Uma pesquisa publicada em 22 de abril no jornal estatal Ahram apontou Abul Futuh e o chefe da Liga Árabe Amr Moussa com as maiores intenção de votos com 20%, enquanto Mohamed El Baradei, diplomata da ONU aposentado, tem 12%.

Um membro sênior da Irmandade disse que a decisão de Abul Futuh foi pessoal e que o grupo não iria apoiar a sua candidatura. 'A decisão de Abul Futuh contraria a decisão oficial da Irmandade', disse Sobhi Saleh, um dos líderes da Irmandade em Alexandria.

Abul Futuh disse que seria capaz de curar as divisões entre muçulmanos e a minoria cristã no Egito, apesar dos conflitos no Cairo neste mês que mataram 12 pessoas.

'Essa violência sectária me deixa ainda mais determinado a buscar a presidência. Conforme surgem indivíduos fundamentalistas no período de transição, o país precisa de alguém que está mais conectado com as áreas muçulmana, cristã e liberal do espectro político', disse.

Abul Futuh disse que o futuro do Egito será definido pelos egípcios, não pelos temores ocidentais.

'Agora que os egípcios conseguiram recuperar o país que tinha sido roubado deles, ninguém além deles pode determinar o seu futuro. Os egípcios vão definir quem será o líder e nenhuma pressão estrangeira vai dizer quem estará à frente do novo Egito', disse.

Ele acrescentou: 'É necessário ter boas relações bilaterais, mas o Ocidente não vai nos dominar'.        

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