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Mergulhador da Marinha sul-coreana morre em busca por navio naufragado

Mergulhador da Marinha sul-coreana morre em busca por navio naufragado

Atualizado: Terça-feira, 30 Março de 2010 as 12

Um mergulhador da Marinha sul-coreana morreu nesta terça-feira durante uma operação de resgate em busca de 46 marinheiros que estariam presos em um navio que afundou na sexta-feira passada, dia 26, próximo a uma fronteira marítima disputada com a Coreia do Norte.

O presidente Lee Myung-bak visitou o local da operação de resgate nesta terça-feira, a cerca de 170 quilômetros da costa oeste do porto de Incheon. Ele deu ordens para manter vigilância sobre a Coreia do Norte depois que o ministro de Defesa disse que uma mina norte-coreana pode ter causado a explosão que afundou o navio da Marinha com 104 tripulantes a bordo.

O membro da Equipe de Demolição Submarina, de 53 anos, foi trazido à superfície inconsciente depois de trabalhar a 24 metros de profundidade em busca de marinheiros desaparecidos, informou um porta-voz do Ministério da Defesa.

Um segundo mergulhador está sendo tratado de ferimentos, dizem autoridades.

O presidente Lee expressou condolências pela vítima, classificando a morte de "infortuna e triste".

Esforços frenéticos de resgate foram dificultados por águas turvas e fortes correntezas no local, a apenas uma pequena distância ao sul da fronteira em disputa e ao alcance da artilharia norte-coreana.

Ao todo, 58 tripulantes foram resgatados antes de o navio se partir ao meio e afundar na noite de sexta-feira, dia 26. Outros 46 tripulantes estão desaparecidos e as autoridades afirmam que as chances de encontrá-los com vida são mínimas.

O navio de patrulha Cheonan, de 1.200 toneladas, afundou após forte explosão por volta das 21h45 (9h45 em Brasília), no mar Amarelo (mar Ocidental).

Informações iniciais de que a Coreia do Norte poderia estar envolvida desestabilizaram os mercados financeiros, mas autoridades sul-coreanas disseram posteriormente que não havia sinais claros de que Pyongyang teria tido alguma responsabilidade no incidente.

O ministro da Defesa sul-coreano disse na segunda-feira que nada havia sido descartado como possível causa, inclusive a possibilidade de que o navio tenha sido atingido por uma das milhares de minas marítimas colocadas pela Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953).

A Coreia do Norte não comentou o naufrágio em sua mídia oficial, mas enviou um alerta na segunda-feira sobre medidas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos que poderiam levar a incidentes imprevisíveis.

Histórico

A linha de fronteira marítima entre os dois países, em tese ainda em guerra, já que não assinaram um tratado de paz para acabar com o conflito de 1950-1953, nunca foi reconhecida pela Coreia do Norte e é uma área de de frequentes disputas entre as duas Coreias.

Em 10 de novembro do ano passado, uma patrulha naval norte-coreana e uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul trocaram disparos nas águas do mar Ocidental (mar Amarelo) às 11h28 (0h28 no horário de Brasília), perto da ilha de Daechong.

Segundo a agência Yonhap, a breve disputa não deixou vítimas. Pyongyang, contudo, já reivindicou pedido formal de desculpas de Seul alegando que o ataque provocou sérios danos à patrulha norte-coreana.

Em 2002, navios de guerra norte-coreanos dispararam contra navios da Coreia do Sul e deixaram quatro mortos e 18 feridos. Posteriormente, Pyongyang se desculpou.

Três anos antes, em 1999, aconteceu outro enfrentamento que acabou com o naufrágio de um navio de Pyongyang e a morte de cerca de 80 marinheiros.

A zona de fronteira marítima entre as duas Coreias é especialmente conflituosa, já que Pyongyang rejeita a polêmica Linha do Limite do Norte (NLL), estabelecida no final da Guerra da Coreia (1950-1953) pelas tropas da ONU (Organização das Nações Unidas) lideradas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma linha fronteiriça que é objeto de disputa por ambas partes, que se acusaram mutuamente de violá-la em numerosas ocasiões.

A Coreia do Norte assinalou em inúmeras vezes que as incursões de seu vizinho do sul são premeditadas para intensificar a tensão, enquanto Seul repete acusações similares contra Pyongyang.

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