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Micheletti rejeita volta de Zelaya à Presidência de Honduras

Micheletti rejeita volta de Zelaya à Presidência de Honduras

Atualizado: Quarta-feira, 7 Outubro de 2009 as 12

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta quarta (7) que está disposto a abandonar o poder, mas apenas se o presidente deposto, Manuel Zelaya, desistir de voltar à presidência. Ele afirmou durante reunião com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (0EA), José Miguel Insulza, e com embaixadores encarregados de promover o diálogo para superar a crise hondurenha:

''Se hoje sou o obstáculo, vou fazer a minha parte, mas exijo o mesmo deste senhor''.

A posição de Micheletti bloqueia um ponto fundamental do Acordo de San José, o plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que serve de base às negociações e estabelece como prioridade a restituição de Zelaya.

Na abertura das negociações, transmitida ao vivo pela TV local, Micheletti também disse, em tom firme, que não há modo de impedir as eleições de 29 de novembro, que a comunidade internacional não planeja reconhecer caso seja celebrada sob o regime de fato:

''As eleições vão acontecer no dia 29 de novembro. Apenas um ataque ou uma invasão vão nos impedir''.

Micheletti voltou a acusar Zelaya de tentar permanecer no poder, por mais quatro anos, por meio de uma reforma ilegal da Constituição, que permitiria a reeleição presidencial.  O presidente do governo de fato também disse que irá resistir a qualquer medida política ou econômica da comunidade internacional.

O ministro das Relações Exteriores do governo de fato, Carlos López Contreras, disse para a missão da OEA que há estrangeiros e hondurenhos armados no interior da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde Zelaya está refugiado há duas semanas.

O embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, afirmou que todas as armas foram entregues e estão no cofre da embaixada.

Contreras também reafirmou o pedido para que o Brasil defina o status de Zelaya na embaixada, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualifica de hóspede do governo brasileiro.

Zelaya, que acompanhou a abertura do diálogo por rádio e pela Internet, não está otimista, mas tem a expectativa de saber qual será o próximo passo do regime golpista, revelou o padre Andrés Tamayo, que está com o presidente deposto na sede diplomática brasileira.

Para o padre Tamayo, o mais provável é que o governo de fato continue ganhando tempo ao não aceitar a volta de Zelaya ao poder, apesar da pressão da comunidade internacional.

Na abertura das negociações, Insulza pediu às duas partes que negociem "sem segundas intenções, com boa vontade, sacrificando os interesses pessoais e deixando o medo de lado.

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