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Militar suspeito de vazamento de documentos da guerra é transferido aos EUA

Militar suspeito de vazamento de documentos da guerra é transferido aos EUA

Atualizado: Sexta-feira, 30 Julho de 2010 as 11:20

O militar americano Bradley Manning, principal suspeito do vazamento de mais de 91 mil páginas de documentos secretos da guerra do Afeganistão ao site Wikileaks, foi transferido de uma prisão militar no Kuait para a base da Marinha em Quântico, nos Estados Unidos.

Manning, de 22 anos, serviu como analista de inteligência no Iraque. Ele já havia sido detido em maio passado, suspeito de ter transmitido ao Wikileaks um vídeo que mostra o ataque de um helicóptero do Exército americano no Iraque. O ataque causou, em 2007, a morte de dois funcionários da agência de notícias Reuters e de várias outras pessoas, em Bagdá.

Ele foi acusado em junho passado de oito violações ao Código Criminal dos EUA por transferir ilegalmente informações classificadas. Agora, é o principal suspeito de um novo vazamento de documentos militares ao Wikileaks, que causou reação internacional ao revelar detalhes cruéis da rotina da guerra --como assassinato de civis encobertos e esquadrões que matam talebans sem julgamento.

O militar, afirma a rede de TV americana CNN, permanecerá em confinamento na base da Marinha até que a investigação do Pentágono determine se ele deve enfrentar um tribunal militar pelas acusações. Como seu julgamento não foi determinado, ele ainda não entrou com declaração de inocência ou culpa.

Segundo o Pentágono, Manning teria acessado um sistema mundial militar dos Estados Unidos, com acesso restrito via internet, Secret Internet Protocol Router Network (SIPRNET), e baixado dezenas de milhares de documentos.

Para poder ter acesso a este sistema, o pessoal autorizado precisa de senhas, além de passar por outras medidas de controle, como o acesso físico, para conectar-se a sistemas específicos que fornecem informação classificada nos mais altos níveis. Ele teria este acesso devido a seu cargo de analista de inteligência.

A investigação oficial do Pentágono foi aberta nesta terça-feira (27) e entregue aos cuidados da mesma Divisão Criminal encarregada do dossiê de Manning no caso Iraque. Seu nome já havia sido citado por funcionários do Pentágono como "pessoa de interesse" no novo caso de vazamento.

ANÔNIMO

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou nesta quarta-feira não saber a fonte que entregou ao site os documentos militares secretos.

Assange não explicou se ele não tem ideia de quem enviou o material ou se sua organização simplesmente não tem como atestar a fonte, diante dos recursos utilizados para proteger o anonimato dos denunciadores.

Segundo o próprio Wikileaks, o trabalho de publicar informações sigilosas combina proteção, anonimato e tecnologias de ponta de criptografia, com as informações distribuídas em uma rede de jurisdições, organizações e indivíduos --um caminho tão complexo que torna quase impossível recriá-lo até a fonte original. O site conta ainda com advogados e outros funcionários destinados a proteger as fontes.

Assange disse que o método de anonimato ajudou a proteger seu site de agências espiãs e corporações hostis. "Nós nunca sabemos a fonte do vazamento. Nosso sistema inteiro é desenhado para que nós não tenhamos que manter este segredo".

INFORMAÇÕES

Os registros divulgados são dos militares americanos e equivalem a um período de seis anos da guerra contra o grupo islâmico Taleban --de janeiro 2004 a dezembro de 2009.

Entre as informações que vieram a público, os documentos afirmam que centenas de civis foram mortos sem conhecimento público e oficial pelas tropas de coalizão no Afeganistão, planos secretos para exterminar líderes extremistas do Taleban e Al Qaeda e a discussão do suposto envolvimento de Irã e Paquistão no apoio a insurgentes eram temas recorrentes aos líderes militares.

Os documentos informam que pelo menos 195 civis foram mortos e outros 174, feridos. O número, contudo, pode ser subestimado porque, em muitas missões, as tropas omitem esse tipo de acontecimento.

Erros que ocasionaram morte de civis também incluem o dia em que soldados franceses bombardearam um ônibus cheio de crianças em 2008, matando 8. Uma ronda similar feita pelas tropas norte-americanas matou 15 passageiros.

Os documentos também apontam o extermínio de uma vila durante uma festa de casamento, incluindo uma mulher grávida, em um aparente ataque de vingança.

Os EUA também acobertaram que o Taleban adquiriu mísseis aéreos, e que escondeu um massacre perpetrado pelo grupo terrorista devido ao uso de bombas, que dizimaram mais de 2.000 civis até então.

As tropas no Afeganistão mantinham ainda uma unidade de 'caçadores' para 'matar ou capturar' líderes do Taleban sem julgamento.

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