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Ministro ameaça 'cortar o dedo' de quem interferir em assuntos sauditas

Ministro ameaça 'cortar o dedo' de quem interferir em assuntos sauditas

Atualizado: Quarta-feira, 9 Março de 2011 as 3:10

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Saud al-Faisal, ameaçou nesta quarta-feira (9) "cortar o dedo" de quem interferir nos assuntos internos de seu país.

"Nós não nos metemos em assuntos alheios, portanto não aceitamos que ninguém faça o mesmo conosco", advertiu, segundo a agência de notícias estatal "SPA".     Faisal acrescentou que o diálogo é a melhor maneira de atender às aspirações dos cidadãos sauditas, "sejam do norte, sul, leste ou oeste", e lembrou que o Alto Comitê Saudita para Pesquisa Científica e Lei Islâmica emitiu um édito que proíbe as manifestações.

Além disso, o ministro reiterou o interesse do governo local em proteger a pátria, os cidadãos e seus direitos.     Faisal fez estas declarações depois de 22 pessoas terem sido detidas no último dia 6 por participarem de uma manifestação na província de Al Qatif para pedir a libertação de nove presos xiitas.

Um dia antes, o Ministério do Interior havia anunciado que adotaria todas as medidas necessárias para impedir a organização de protestos neste país, o maior exportador mundial de petróleo.

Existe o temor na Arábia Saudita de que ocorram revoltas populares como as de Tunísia e Egito, que acabaram com os regimes do tunisiano Zine el Abidine ben Ali e do egípcio Hosni Mubarak.

Liberdade

Duas organizações de defesa dos Direitos Humanos pediram nesta quarta às autoridades sauditas que permitam as manifestações convocadas para sexta-feira através do Facebook.

Estes pedidos acontecem depois que os EUA, principal aliado do reino saudita, recordaram que são favoráveis ao direito a manifestações pacíficas.

Uma convocação pelo Facebook de um "Dia de revolução" em 11 de março na Arábia Saudita recebeu nesta quarta-feira a aprovação de mais de 31 mil pessoas, quando já circula outro convite para um movimento similar em 20 de março.

A convocação reclama que "o dirigente e os membros da Majlis al-Shura (conselho consultivo nomeado) sejam eleitos", também pedem "a libertação dos presos políticos", "a liberdade de expressão e de reunião" e que as mulheres tenham direitos iguais no reino.

"As leis do reino proíbem todo o tipo de manifestação, marcha ou protesto pacífico, já que vão contra a sharia (lei islâmica) e as tradições da sociedade saudita", lembrou o ministério do Interior, citado pela agência oficial SPA e pela televisão.

O ministério acrescentou que a polícia está autorizada a "tomar todas as medidas necessárias contra aqueles que violam a lei".

Esta mensagem de advertência ocorre depois do registro, nos últimos dias, de pequenas manifestações no reino, governado por uma dinastia sunita conservadora.

Estes pequenos protestos ocorreram sobretudo no leste do país, onde vive uma forte comunidade xiita.

Em um comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu às autoridades sauditas que "voltem atrás em sua decisão de proibir as manifestações pacíficas".

De seu lado, a Anistia Internacional também pediu às autoridades que garantam o direito de expressão da população, recordando que são obrigadas, pela lei internacional, a garantir protestos pacíficos.

A data escolhida para a manifestação coincide com a criação, em 11 de março de 1996, do Movimento pela Reforma Islâmica na Arábia, um grupo dissidente com sede em Londres e que até agora não conseguiu mobilizar as multidões no reino.    

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