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Ministros sul-americanos discutem acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos

Ministros sul-americanos discutem acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos

Atualizado: Terça-feira, 11 Agosto de 2009 as 12

Ministros da Defesa e das Relações Exteriores da América do Sul se reunirão no dia 24 deste mês para discutir o acordo militar que está sendo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos. A decisão foi tomada ontem, 10 de agosto, durante a Cúpula de Chefes de Estado da União Sul-Americana de Nações (Unasul), em Quito, no Equador. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, não participou do encontro.

"Depois da reunião dos ministros, vamos decidir se há necessidade de fazer uma reunião dos chefes de governo da América do Sul", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando ser fundamental a presença da Colômbia para a discussão do tema. "E que o presidente Uribe não se sente na reunião como se fosse réu, ele tem que sentar em igualdade de condições, explicar as razões dele e ouvir os pensamentos que discordam dele para a gente poder construir o possível", afirmou Lula.

Ele propôs que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seja convidado para participar do encontro de chefes de Estado, caso a reunião se confirme. "Para que ele viesse discutir conosco qual é a política americana para a América do Sul e para a América Latina", justificou, antecipando que pretende telefonar para Obama na próxima semana. Para Lula, ainda há "desconfiança" na região com relação às "incertezas" da política norte-americana.

Em conversa com a imprensa antes de retornar ao Brasil, Lula reiterou que há uma preocupação com a transferência de efetivos da Base de Manta, no Equador, para a Colômbia, e garantiu que isso foi dito ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que esteve no Brasil na última quinta-feira, dia 6. Lula é contra a ajuda dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico - justificativa apresentada pelo governo colombiano para a maior presença de militares americanos na região.

"Nós fizemos questão de dizer ao presidente Uribe que a nós nos preocupa, porque acabamos de criar um conselho de combate ao narcotráfico. Portanto, esse conselho pode dar resposta a muitas coisas que os colombianos pensam que os americanos podem dar. Acho que a América do Sul tem que ter uma chance de cuidar de seus próprios problemas sem ingerência externa", disse Lula.

O presidente frisou ainda que o Brasil precisa de "segurança jurídica" quanto à limitação da atuação militar dos Estados Unidos ao território colombiano. "Que fique explicitado, em qualquer documento, nesse tratado feito entre os Estados Unidos e a Colômbia, que essas bases têm como finalidade pura e simplesmente agir dentro do território da Colômbia", ressaltou.

Lula considera natural que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteja preocupado porque já foi vítima de golpe uma vez, mas não acredita na possibilidade de uma guerra na região. "Não é possível imaginar, no século 21, qualquer guerra na América do Sul ou na América Latina. O papel do Brasil é trabalhar para que a gente resolva os nossos problemas em paz, até porque somente a paz pode garantir que os países se desenvolvam, cresçam e gerem riqueza e distribuição de renda", afirmou.

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