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Morte de Bin Laden reacende debate sobre uso de tortura

Morte de Bin Laden reacende debate sobre uso de tortura

Atualizado: Quarta-feira, 4 Maio de 2011 as 10:49

A operação de forças especiais dos EUA que culminou na morte de   Osama bin Laden reacendeu o debate sobre o uso de tortura no interrogatório de suspeitos de terrorismo pelos Estados Unidos.

Em uma entrevista na terça-feira (3) à noite à rede de TV NBC, o diretor da CIA, a agência de inteligência americana, Leon Panetta, admitiu que várias das informações que levaram à localização de Bin Laden vieram de prisioneiros que haviam sido submetidos à técnica de interrogatório conhecida como 'afogamento simulado'.

O presidente dos EUA, Barack Obama, proibiu a técnica em 2009.

Panetta afirmou que integrantes da rede de inteligência dos EUA haviam usado 'técnicas coercitivas' nos interrogatórios. Indagado se essas técnicas incluíam o chamado 'afogamento simulado', o diretor da CIA respondeu:

'Correto'. A revelação de Panetta reacendeu a discussão sobre táticas usadas em interrogatórios pelos EUA, com muitos representantes do Partido Republicano defendendo a prerrogativa do governo de usar as chamadas técnicas de coerção.

O presidente do Comitê de Segurança Interna da Câmara de Representantes dos EUA, o republicano Peter King, defendeu o uso do afogamento simulado, dizendo que a técnica deu resultado quando foi usada com Khalid Sheikh Mohammed, tido como artífice dos atentados de 11 de Setembro, que está preso em Guantánamo.

'Falei com pessoas que estão muito próximas da situação e que dizem que a informação inicial veio de Khalid Sheikh Mohammed, depois que ele foi submetido a afogamentos simulados'.

Assim como King, figuras da era Bush, como o ex-vice-presidente Dick Cheney, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rica, e o ex-subsecretário de Defesa Paul Wolfowitz, defendem o uso de práticas condenadas por muitos pelo governo Bush, com os suspeitos em Guantánamo.

'Isto (a captura de Bin Laden) não teria sido possível se tivéssemos liberado terroristas em vez de mantê-los presos pela informação que tinham', disse Wolfowitz.

Anistia Internacional Mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, negou que informações obtidas em Guantánamo tenham tido papel na localização de Bin Laden.

'É simplesmente ingênuo sugerir que um pedaço de informação que pode ou não pode ter sido recuperada há oito anos, de alguma maneira teve a ver diretamente com o êxito da missão de domingo. Simplesmente não é o caso', disse Carney.

Segundo documentos que teriam sido obtidos pela Rádio Pública Nacional, investigadores americanos estavam particularmente interessados em um suposto mensageiro de Bin Laden, chamado Abu Ahmed al-Kuwaiti. Não foi confirmado oficialmente que ele foi aquele que conduziu ao paradeiro final de Bin Laden.

A agência de notícias Reuters cita um ex-funcionário de segurança do governo Bush, afirmando que Khalid Sheikh Mohammed teria falado sobre o mensageiro 'depois que se mudaram as tétnicas de interrogatório'.

Defensores dos direitos humanos, que qualificam as técnicas usadas pelos EUA como tortura, afirmam que não existe prova direta entre as informações obtidas com o uso do afogamento simulado e a localização de Bin Laden.

'Não há prova irrefutável de uma relação direta entre os afogamentos simulados e a descoberta do mensageiro', disse Geneve Mantri, especialista em terrorismo da Anistia Internacional. 'Esta operação foi um processo lento e gradual de juntar pedaços de informação. Se o governo anterior tinha essa informação claramente não fez nada com ela', afirmou Mantri.

No afogamento simulado, amarra-se um pedaço de pano ou plástico à boca do prisioneiro e derrama-se água sobre seu rosto. Isto o leva a inalar água, causando a sensação de afogamento.

Entre outras técnicas conduzidas nas prisões secretas da CIA, incluindo em centros de detenção como Guantánamo, estão manter os prisioneiros acorrentados em posições desconfortáveis por um longo período de tempo e privá-los de sono por até 180 horas.

Após vários anos de intensa polêmica dentro e fora dos EUA, as práticas caíram em desuso em 2004 e foram expressamente proibidas pelo governo do presidente Obama, que chegou ao poder em 2009.

Entretanto, Panetta disse que as pistas que levaram a Bin Laden não vieram apenas deste tipo de interrogatório, mas de 'muitas fontes'. Vários oficiais que participaram das sessões afirmam que as técnicas aportaram pouca informação sobre o paradeiro de Bin Laden.

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