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Mubarak renuncia à Presidência do Egito, diz vice-presidente

Mubarak renuncia à Presidência do Egito, diz vice-presidente

Atualizado: Sexta-feira, 11 Fevereiro de 2011 as 2:12

O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse nesta sexta-feira (11) em pronunciamento na TV estatal que o presidente Hosni Mubarak renunciou., após 18 dias de protestos de rua contra seu governo de 30 anos.

A notícia foi celebrada com festa nas ruas do Cairo e das outras grandes cidades do Egito.

Mubarak havia partido pouco antes para o balneário de Sharm el Sheij, no Mar Vermelho, a 400 km do Cairo, informou Mohammed Abdellah, porta-voz de seu partido, o Nacional Democrático.

Mubarak, que tem uma residência no balneário, deixou a capital em meio a mais um dia de grandes protestos de rua pedindo sua saída imediata do governo.

Pouco antes, Hossan Badrawi, recém-nomeado secretário-geral do partido do governo, anunciou sua renúncia, argumentando que o país precisava de novas siglas.

Antes, o Exército havia soltado nota prometendo  levantar o estado de emergência sob o qual o país vive desde 1981, "assim que as circunstâncias atuais terminarem".

Os militares também prometeram garantir uma eleição presidencial "livre e justa" em setembro, além de mudanças na Constituição e da proteção da nação, que vive há 18 dias uma crise política sem precedentes, com fortes manifestações de rua pedindo a renúncia imediata do presidente, de 82 anos e há 30 no poder.

No comunicado, que foi interpretado como uma demonstração de apoio a Mubarak, o Exército disse que não iria perseguir os "honrados cidadãos que rechaçaram a corrupção e pediram as reformas".

O comunicado do Exército deixa claro que os militares queriam que a população encerre os protestos de rua e volte para casa.

Clima tenso

O clima seguia tenso no Cairo, onde manifestantes antigoverno tomavam mais uma vez as ruas, um dia após o líder ter transmitido os poderes "de fato" para Suleiman. A France Presse avaliou que ao menos um milhão de pessoas participavam dos protestos.

Insatisfeitos com o discurso de Mubarak na véspera, egípcios se reuniam na frente do palácio presidencial para pedir sua saída imediata do poder e ameaçavam invadir o prédio. O Exército, que guarda o palácio, observava, mas não tentava impedir os manifestantes.

Os protestos se intensificaram depois das tradicionais orações do meio dia da sexta-feira (8h de Brasília).

Em Al Arish, no Sinai, confronto entre manifestantes e a polícia deixou um morto e 20 feridos.

Discurso

Na véspera, Mubarak frustrou os manifestantes que esperavam sua renúncia imediata e confirmou, em discurso na TV, que pretende continuar no governo até setembro, à frente da transição de poder. Ele também disse que iria transferir poderes ao seu vice.

Sameh Shoukr, embaixador do Egito nos EUA, explicou que Mubarak transferiu todos os poderes da presidência para seu vice, mas permanece do chefe de Estado "de jure" (de direito).

O embaixador disse que esta versão lhe foi contada pelo próprio Suleiman.

A decisão de Mubarak de ficar durante a transição irritou ainda mais a população local. Milhares de pessoas passaram a noite na praça Tahrir.

Em um discurso de tom patriótico, Mubarak afirmou que a transição no Egito em crise vai ocorrer "dia após dia"  até as eleições presidenciais marcadas para setembro. Ele prometeu proteger a Constituição durante todo o processo.

Mubarak disse que propôs emendas aos artigos 76, 77, 88, 93 e 189, e cancelou o 179, que dava poderes extras ao governo em caso de combate ao terrorismo.

O presidente afirmou que iria transferir poderes a Suleiman, segundo a Constituição, mas não esclareceu quando, até que ponto ou de que maneira isso ocorreria.

Em discurso posterior ao de Mubarak, Suleiman, -que já vinha liderando as negociações com a oposição- se comprometeu a tentar fazer "uma transição pacífica de poder" e pediu que os manifestantes acampados no Cairo voltem para casa.

A transferência de poder ao vice, segundo o ex-general, seria uma demonstração de que as reivindicações dos manifestantes estavam sendo respondidas pelo diálogo, e que as conversas com a oposição levaram a um "consenso preliminar" para resolver a crise.

O presidente também pediu desculpas pela repressão aos protestos de rua dos últimos dias, disse que sentia muito pelas vítimas e prometeu punir os responsáveis.

Ele afirmou que compreendia e estava de acordo com as reivindicações dos jovens e também disse que "não aceitaria ordem externas", em uma referência aos constantes pedidos de líderes internacionais pela democratização do país.

Mubarak também disse que as mudanças pretendem criar condições para anunciar o fim do estado de emergência, sob o qual governa desde o início, em 1981.

Ele já havia prometido acabar com a medida, mas sem estabelecer data.

O presidente disse que o Egito permanecerá "acima dos interesses individuais" e que não deixará o país.

'Saída honrosa'

O deputado trabalhista israelense Benjamin Ben Eliezer afirmou nesta sexta que Mubarak comentou com ele, em uma conversa por telefone na noite de quinta-feira, pouco antes de seu discurso à nação, que estava buscando uma "saída honrosa".

"Ele sabe que acabou, que é o fim do caminho. Só me disse uma coisa pouco antes de seu discurso, que procurava uma saída", afirmou Ben Eliezer à rádio militar.

Ben Eliezer, que até recentemente foi ministro do Comércio e da Indústria, é considerado o dirigente israelense mais próximo de Mubarak, a quem visitou em várias ocasiões.      

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