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Na África, Dilma defenderá cooperação entre emergentes como saída para a crise

Dilma defenderá cooperação entre países

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:08

BRICSLuciana Lima

Discurso da presidenta na cerimônia de abertura da reunião entre países da África e da América do Sul terá tônica de intensificar a cooperação Sul-Sul

Ao participar da abertura da Cúpula América do Sul e África, na próxima quinta-feira (22), presidenta Dilma Rousseff vai adotar um discurso de valorização das relações comerciais entre os países do hemisfério sul como estratégia para driblar a crise econômica internacional, que tem como centro a Europa e os Estados Unidos.

Dilma defenderá que em tempos de pouco investimento e de praticamente nenhum subsídio dos países ricos nos países pobres, a saída passa pela chamada cooperação sul-sul.

O discurso da presidenta guarda coerência com o que ela vem defendendo em fóruns como os BRICS, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e até mesmo, com o que ela defendeu nas Organizações das Nações Unidas (ONU) no ano passado. Dilma tem dito que a saída para a crise dos países ricos precisa contar com soluções que contem com os chamados emergentes.

O que a presidenta deixará de mensagem na África é a disposição de incrementar ainda mais a relação do Brasil com países africanos que já vem em um crescente nos últimos 10 anos.

Relação crescente

Considerando todos os países dos dois continentes, mais os países asiáticos, o volume comercializado no ano passado foi de US$ 6 trilhões. A relação com a China, principal parceiro comercial do Brasil rendeu um volume de negócios US$ 1,4 bilhão.

O comércio bilateral entre Brasil e África cresceu 85% em seis anos e atingiu US$ 26 bilhões em 2012. Já o comércio do Continente Sul-Americano com os países africanos atingiu US$ 39 bilhões em 2011 e cresceu 75% entre 2006 e 2012.

Concentração de renda

A reunião da cúpula ocorrerá em Malabo, capital da Guiné Equatorial. A escolha do país foi feita pela União Africana que reúne 54 países e não contou com objeção dos 12 países da América do Sul que também participam do bloco.

O país africano é governado pelo tenente-coronel Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que governa o país desde 1979, quando matou seu tio, o ex-presidente Francisco Nguema, para assumir o poder.

Apesar de apresentar a maior renda per capita da Africa, Guiné Equatorial apresenta uma das piores distribuições de renda do mundo, com uma riqueza proveniente da exploração de petróleo totalmente concentrada nas mãos dos governantes e dos proprietários das companhias internacionais.

Mercosul

O Paraguai não foi convidado para o encontro, já que ainda está suspenso do Mercosul desde a destituição do ex-presidente Fernando Lugo, em junho de 2012.

A situação do Paraguai no Mercosul só deverá ser regularizada após o mês de abril, quando estão marcadas as eleições no país vizinho para a escolha do novo presidente.

A visita da presidenta Dilma a Malabo será a primeira das três que fará ao continente africano ainda nesse semestre. De Malabo a presidenta seguirá para a Nigéria.

Em março, Dilma também irá à África do Sul, para a reunião da cúpula dos BRICS e, em maio, Dilma retornará ao continente africano para participar da cerimônia de comemoração dos 50 anos da União Africana, em Adis Abeba, capital da Etiópia.


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