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Na Holanda, trabalho em meio período ganha força

Na Holanda, trabalho em meio período ganha força

Atualizado: Sábado, 22 Janeiro de 2011 as 11:54

Aos 37 anos, Remco Vermaire é o mais jovem sócio em seu escritório de advocacia. Seus clientes esperam que ele esteja disponível constantemente -- exceto às sextas-feiras, quando ele cuida de seus dois filhos. Catorze dos 33 advogados do escritório trabalham meio período, assim como suas esposas e seus maridos. Há clientes que adotam o mesmo estilo de horário, também.

"Trabalhar quatro dias por semana é agora a regra, não exceção, entre meus amigos", diz Vermaire, o primeiro homem do Wijn & Stael Advocaten a tirar um "dia do papai", em 2006. Um ano depois, todos os advogados de sua firma que têm crianças pequenas seguiram o exemplo.

Por razões que misturam tradição e modernidade, três em cada quatro trabalhadoras holandesas fazem meio período. Setores dominados por mulheres, como saúde e educação, operam quase que totalmente em sistemas compartilhados já que até mulheres sem filhos e mães de adultos trocam o rendimento por folgas.

Em poucos anos, contudo, o trabalho em meio período deixou de ser uma prerrogativa de mulheres com poucas ambições profissionais e se tornou uma poderosa ferramenta para atrair e manter talentos -- de homens e mulheres -- no competitivo mercado holandês.

Um número cada vez maior de jovens profissionais busca esquemas de trabalho com semanas mais curtas e com horários flexíveis, com implicações que vão desde a identidade de gênero até a hora do rush no trânsito.

O sistema já atrai cirurgiões, gerentes, engenheiros. Da Microsoft ao Ministério de Economia holandês, escitórios se tornaram "prédios flexíveis", em que o número de estações de trabalho é bem menor que o de pessoas que entram e saem em agendas definidas por suas necessidades.

A cultura holandesa do meio período demonstra os desafios -- e as soluções em potencial -- que outros países devem enfrentar numa era em que a força de trabalho passar por mudanças constantes.

"A nossa experiência com o meio período nos ensinou que você pode organizar o trabalho em um ritmo diferente de 9h às 17h", diz Pia Dijkstra, integrante do Parlamento e ex-apresentadora de jornal que liderou uma força-tarefa sobre como incentivar as mulheres a trabalhar. "A próxima geração", continua ela, "está transformando nossa cultura do meio período, que era nosso ponto fraco, em um ponto forte".

Na média, os homens ainda aumentam suas horas de trabalho quando têm filhos. Mas, com 1 a cada 3 homens trabalhando meio período ou ajustando as horas da semana para trabalhar quatro dias, o "dia do papai" virou parte do vocabulário holandês.   Por: Katrin

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