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Na TV, Kadhafi diz que manifestantes na Líbia estão a serviço de Bin Laden

Na TV, Kadhafi diz que manifestantes na Líbia estão a serviço de Bin Laden

Atualizado: Quinta-feira, 24 Fevereiro de 2011 as 2:54

O ditador da Líbia,  Muammar Kadhafi, disse na TV nesta quinta-feira (24) que os manifestantes antigoverno que tomaram boa parte do país africano estão a serviço do líder da rede terrorista da al-Qaeda, Osama bin Laden, e que tomaram drogas alucinógenas e estão "lutando entre si".

O vídeo não mostrou imagens ao vivo de Kadhafi, que falou por telefone a um apresentador da TV estatal líbia. O ditador afirmou que o terrorista saudita estaria "manipulando" os líbios e instou a população a combatê-lo.

"Bin Laden. Este é o inimigo que está manipulando o povo", disse. "Não sejam enganados por Bin Laden."

    Referindo-se aos confrontos violentos da cidade de Zuara nesta quinta, ele afirmou que o que ocorre lá é "uma farsa". "Vocês em Zuara se voltaram para Bin Laden", afirmou. "Eles deram drogas a vocês."

"Eles lavaram o cérebro das crianças nessa região e pediram que se comportassem dessa maneira", acrescentou. O ditador líbio assegurou que a situação em seu país é diferente da do Egito e da Tunísia, onde as rebeliões populares acabaram com regimes longevos e autoritários e acabaram inspirando manifestações em outros países. "Aqui a autoridade está em suas mãos, nas mãos do povo. Podem mudar a autoridade sempre que quiserem. A escolha é sua. Vocês são os anciões, os líderes das tribos, os professores", declarou.

"Meu poder na Líbia é simplesmente moral", também disse. "Não tenho o poder de legislar ou de fazer aplicar a lei. A rainha da Inglaterra não tem essa autoridade. Esse é, exatamente, o meu caso."

Caos

Enquanto isso, aprofundava-se o caos no país deflagrado, com novos relatos de enfrentamentos entre forças leais ao governo e manifestantes.

Iniciados na cidade de Benghazi, no leste do país, os confrontos chegaram à capital, Trípoli, e a outras regiões.     O jornal 'Quryna', principal fonte de informação sobre a rebelião,  afirmou que pelo menos 10 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em Zuara, que fica a cerca de 50 km da capital, depois de confrontos nesta quinta.

O número de mortos poderia subir, porque tiroteios estavam impedindo os feridos de chegarem ao principal hospital da cidade. A TV Al  Jazeera mostrou imagens do que seria uma delegacia em chamas no local.

Tobruk, Derna e Benghazi, o epicentro da rebelião, a 1.000 quilômetros de Trípoli, estão sob controle da oposição, segundo jornalistas e moradores. O comando está na mão de "conselhos populares" que foram se formando ao longo dos últimos dias. Nesta região, limitada ao norte pelo Mediterrâneo e ao sul pelo deserto, ficam as preciosas jazidas de petróleo que sustentam a economia do país.

Enquanto nas cidades mais a oeste, incluindo a capital Trípoli, ainda são ouvidos tiros à noite, as ruas de Al-Baida, uma localidade costeira ao leste de Benghazi, estão tranquilas.

Os muros repletos de impactos de bala são a prova da violência dos combates na cidade entre opositores e "mercenários" sob as ordens de Kadhafi.

O número de vítimas desde o início da violenta repressão aos protestos é incerto. O governo deu, na quarta, um balanço de 300 mortos. A Ong Federação Internacional de Direitos Humanos falou em 640. Mas outros relatos falam em milhares de mortos nos enfrentamentos abertos entre tropas e manifestantes.

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