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Não sabia que ela corria risco, diz pai de soldado morta no Iraque

Não sabia que ela corria risco, diz pai de soldado morta no Iraque

Atualizado: Quarta-feira, 25 Agosto de 2010 as 4:49

No dia 9 de abril de 2004, John Witmer recebeu em sua casa a visita de três homens de uniforme. Com suas filhas gêmeas e a mais velha lutando no Iraque, ele sabia exatamente o que aquela presença significava. "Ouvir o nome da minha filha saindo da boca do general teve o poder de uma pancada na cabeça. Eu caí de joelhos", escreveu Witmer depois de saber que uma de suas meninas tinha morrido durante um ataque a seu comboio em Bagdá.

Michelle Witmer estava dirigindo um dos veículos atingidos por uma explosão e tiros em uma região próxima à Zona Verde, na capital iraquiana. Aos 20 anos, ela foi a primeira mulher da Guarda Nacional a morrer em serviço no país ocupado.

Em entrevista, Witmer contou que não sabia do verdadeiro risco que as filhas sofriam no combate: "Eu tinha uma visão antiquada da função de reservistas e soldados mulheres. Quando eu era jovem, reservistas raramente deixavam o país. As tropas da Guarda Nacional eram chamadas para atender a desastres naturais ou disturbios civis. E soldados mulheres agiam em papeis de apoio, como de enfermagem, religiosos e administrativos. Embora minhas filhas soubessem das mudanças no modo como reservistas e soldados serviriam, eu não sabia. Então quando elas entraram para a Guarda Nacional eu não me preocupei, pois não esperava que elas estivessem em perigo."  Anos depois da morte de Michelle, Witmer, um diretor de empresa de Wisconsin, escreveu o livro "Sisters in Arms: A Father Remembers" [inédito no Brasil], em que compartilha as experiências das filhas na guerra e conta a agonia e a preocupação de quem fica. "Escrevi primeiro, para honrar a memória da minha filha Michelle; era um sonho seu escrever sobre suas experiências no Iraque. Depois, para ajudar a chamar a atenção para os sacrifícios das famílias de militares. Minha esperança é que nossos cidadãos entendam completamente os custos da guerra; que, como nação, nós examinemos cuidadosamente qualquer decisão de ir para a guerra." Após a morte da irmã, Charity e Rachel não voltaram mais para o Iraque."Elas receberam uma 'mudança de posto por misericórdia' e terminaram seus mandaros nos EUA, deixando a Guarda Nacional em 2008", disse Witmer.

Sobre a retirada das tropas de combate do país, Witmer disse estar feliz com o anúncio. "estou feliz pelas famílias dos soldados que voltam e contente que a guerra esteja acabando. No entanto, não podemos esquecer que ainda há 50 mil soldados lá em postos de apoio. Enquanto existir uma insurgência ativa, os soldados estarão correndo risco."

"Existem uma frase famosa que diz 'os que esperam também servem'. É difícil para qualquer um que não tem experiência em esperar por um soldado entende-o completamente. É preciso pagar um preço físico e emocional."

Postado por: Thatiane de Souza

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