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"Não vou tolerar divisões", diz Obama após afastar general que o criticou

"Não vou tolerar divisões", diz Obama após afastar general que o criticou

Atualizado: Quarta-feira, 23 Junho de 2010 as 4:31

Após aceitar a renúncia do general Stanley McChrystal do cargo de comandante das tropas Estados Unidos no Afeganistão e substitui-lo por David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, disse em discurso oficial da Casa Branca que não irá tolerar divisões dentro do Exército americano.

''Hoje aceitei a renúncia do general McChrystal como chefe das tropas dos EUA no Afeganistão. Lamento, mas tenho certeza de que é a melhor opção para nosso país. Aproveito para nomear David Petraeus como o novo chefe de nossas tropas'', disse Obama.

De acordo com o presidente, a medida é necessária para manter a estratégia americana no país. ''Agora é hora de todos se unirem. Não posso tolerar divisões (...), precisamos nos lembrar do que se trata [o conflito], nossa nação está em guerra. Vamos quebrar o poder do Taleban e incentivar o Afeganistão e o Paquistão a fazer o mesmo'', acrescentou.

No discurso, o presidente disse ainda que, apesar da decisão ''continua a admirar'' McChrystal. ''Nos últimos 9 anos, com os EUA lutando guerras no Iraque e no Afeganistão, ele ganhou nossa admiração como um dos melhores soldados dos EUA''.

No entanto, segundo Obama, os comentários ''não deveriam ter sido publicados''. ''Tenho uma responsabilidade pelos militares que servem nesta missão vital. Devo manter o rigor de um código de conduta, tanto para novos integrantes como para o general que comanda todos''.

Anteriormente nesta quarta-feira, McChrystal havia deixado a Casa Branca após reunir-se a portas fechadas com Obama. Ele havia sido convocado com urgência a Washington para reuniões no Pentágono e na Casa Branca, após a publicação de uma entrevista que concedeu à revista ''Rolling Stone'', na qual fez duras críticas à Obama e a atuação de outros altos funcionários do governo americano.

A última vez que Washington enfrentou um contratempo tão significativo entre um presidente e um comandante durante uma operação de guerra ocorreu quando Harry Truman demitiu o general Douglas MacArthur há mais de 50 anos, em decorrência de críticas na estratégia da guerra da Coreia.

Ontem, Obama havia dito que McChrystal teria cometido um ''erro de julgamento'' ao fazer as críticas, mas que que desejava conversar com ele antes de tomar uma decisão sobre seu futuro.

Entrevista

No artigo publicado pela ''Rolling Stone'', o general se mostrou muito crítico em relação ao enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, a quem descreve como um ''animal ferido'', e que teme até mesmo ler os e-mails que recebe dele.

Ele também atacou o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, por duvidar da necessidade do envio de mais tropas ao Afeganistão, e o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, James Jones, a quem qualificou de ''palhaço''.

McChrystal assumiu o comando das tropas no Afeganistão há um ano, substituindo o general David McKiernan, que discordava da estratégia adotada pelo governo americano no país.

Apesar do recente envio de reforços dos EUA, elevando a 150 mil o contingente de soldados estrangeiros, a insurgência do Taleban está no seu momento de maior força desde a queda do regime do grupo radical islâmico, em 2001.

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