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Negociador palestino diz que Israel impede retomada de diálogo direto

Negociador palestino diz que Israel impede retomada de diálogo direto

Atualizado: Quarta-feira, 7 Julho de 2010 as 1:22

O principal negociador palestino sobre a paz no Oriente Médio, Saeb Erekat, reagiu friamente ao encontro do presidente dos EUA, Barack Obama, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, da terça-feira e disse que os israelenses impões barreiras à retomada das negociações diretas ao não anunciar uma paralisação total na expansão de assentamentos em Jerusalém, conforme a Autoridade Nacional Palestina (ANP) exige.

"O mundo todo e o governo dos EUA sabem que quem está impedindo a retomada do diálogo direto é Netanyahu", disse Erekat ao jornal israelense Ha'aretz , quando questionado se esperava mais pressão de Obama sobre o premiê israelense para que tomasse ações que favorecessem as conversas. "Estamos interessados de verdade em começar os diálogo diretos, mas Netanyahu continua fechando as portas para nós", disse o palestino. "Ele deve decidir se quer paz ou assentamentos. Não dá para ter os dois", continuou.

Erekat também disse que antes de as conversas diretas serem retomadas de onde pararam em 2008, os palestinos querem ver progressos nas negociações mediadas pelos EUA. "Todos sabem que o começo do diálogo direto está nas mãos de Netanyahu. Tudo o que ele precisa fazer é anunciar que todas as atividades de expansão de assentamentos serão interrompidas", disse. "Temos um processo de paz pendente há 19 anos, mas a política israelense para as colônias não mudou", completou.

A reunião da terça-feira entre Obama e Netanyahu foi a primeira dos líderes desde um encontro na Casa Branca em março pouco depois de Israel anunciar a construção de novos assentamentos enquanto o vice-presidente americano, Joe Biden, visitava o Estado judeu.

A situação de israelenses e palestinos foi o principal ponto tratado entre os dois líderes. Os EUA têm mediado as negociações entre as partes no Oriente Médio e pedido para que ambas tomem atitudes para que o diálogo direto pudesse ser retomado.

As negociações indiretas foram retomadas neste ano graças aos esforços de George Mitchell, enviado especial dos EUA para o Oriente Médio. As conversas indiretas estavam paralisadas há mais de um ano devido à ofensiva de Israel contra Gaza no início de 2009. A criação de um Estado palestino, a situação dos refugiados, a expansão dos assentamentos judaicos e o status de Jerusalém são alguns dos pontos-chave nas discussões de paz da região.

Extremos

Sami Abu Zuhri, porta-voz do grupo militante palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que os extremistas "refutam os pedidos de Obama pelas negociações diretas" e alegam que eles serviriam somente para "acobertar a continuação da ocupação". Ele também disse que os comunicados dos líderes na terça mostrou que "não há perspectiva de mudanças na política externa americana".

Já o ministro de Exteriores de Israel, o ultradireitista Avigdor Lieberman, insistiu que seu país "não fez nenhuma promessa" a Obama apesar da paralisação parcial da expansão das colônias anunciada por Israel. "Devemos assegurar que a vida normal continua nos assentamentos para aqueles que foram enviados pelo governo israelense", disse o chanceler a uma rádio.

Na reunião, Obama e Netanyahu negaram que haja atritos entre os dois países e o americano elogiou o israelense pelos seus esforços. Netanyahu, por sua vez, se disse "comprometido" com o processo de paz no Oriente Médio.

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