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No pós-Katrina, negros foram vítimas de ataque em Nova Orleans

No pós-Katrina, negros foram vítimas de ataque em Nova Orleans

Atualizado: Segunda-feira, 30 Agosto de 2010 as 2:28

Nos primeiros dias depois que o furacão Katrina deixou grande parte de Nova Orleans inundada e em ruínas, a cidade foi tomada por relatos de violência e derramamento de sangue.

A narrativa dos primeiros dias caóticos – construída em grande parte sobre boatos infundados - rapidamente se tornou uma espécie de consenso: negros pobres e saqueadores estavam assassinando inocentes e aterrorizando quem cruzasse o seu caminho na cidade sombria e sem proteção.

“Quando você olha para trás, lembra que naquela época os relatos pareciam dizer que a cidade estava sob cerco”, disse Russel L. Honore, tenente-general reformado do Exército que liderou os esforços de ajuda militar após a tempestade.

Hoje, uma imagem mais clara está emergindo, e ela é igualmente feia, incluindo a violência vigilante branca, assassinatos cometidos pela polícia, falhas encobertas oficialmente e uma população sofrida e muito mais brutalizada do que muitos estavam dispostos a acreditar.

Diversos policiais e civis brancos acusados de violência racial foram recentemente indiciados em vários casos, e mais incidentes estão vindo à tona porque o Departamento de Justiça deu início a várias investigações sobre violações de direitos civis após a tempestade.

Diques romperam deixando 80% de Nova Orleans submersa, mas na área não inundável de Argel Point, um enclave de maioria branca em um bairro predominantemente negro na margem oeste do rio Mississippi, milícias brancas armadas isolaram muitas ruas.

Eles colocaram cartazes que diziam: “Nós atiramos em saqueadores”. E o som de tiros tomava conta dos dias e noites quentes como trovões de uma segunda tempestade.

A área de West Bank foi poupada de qualquer inundação, mas nos dias e semanas após a tempestade, estava cheia de árvores caídas e, segundo testemunhas, corpos de diversos homens negros – nenhum dos quais parecia ter se afogado.

Algumas das denúncias mais graves vieram à tona depois de investigações do jornal "The Times Picayune" e da organização de notícias sem fins lucrativos ProPublica, que revelaram grande parte da violência policial e racista em torno de Argel Point.

O caso de maior visibilidade envolvendo a polícia é o de um tiroteio na Ponte Danziger no leste de Nova Orleans onde, seis dias depois do Katrina, um grupo de policiais armados com fuzis e armas automáticas dispararam contra um grupo de civis desarmados, ferindo uma família de quatro pessoas e matando dois, inclusive um adolescente e um homem com deficiência mental.

O prefeito Mitch Landrieu convidou o Departamento de Justiça para conduzir uma revisão completa do Departamento de Polícia da cidade. Thomas Perez, um procurador-geral adjunto, disse que o governo federal está investigando oito casos criminais envolvendo acusações de má conduta policial.

Muitas pessoas na cidade – incluindo ativistas, vítimas e testemunhas – durante muito tempo defenderam que a violência racial estava sendo ignorada pela polícia local.

“Nós fomos tratados como malucos nos últimos quatro anos”, disse Jacques Morial, co-diretor do Instituto de Justiça da Louisiana, uma organização de defesa sem fins lucrativos e filho do primeiro prefeito negro de Nova Orleans. “Eu acho que estamos vendo agora a realidade do Katrina - e isso vinga muitas pessoas”.

Postado por: Thatiane de Souza

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