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No ritmo atual, gelo de verão do Ártico vai sumir em 20 anos, diz pesquisa

No ritmo atual, gelo de verão do Ártico vai sumir em 20 anos, diz pesquisa

Atualizado: Quinta-feira, 15 Outubro de 2009 as 12

O Polo Norte vai se tornar um mar aberto durante o verão no prazo de uma década, segundo exploradores que pesquisaram o Ártico por três meses, percorrendo 435 quilômetros entre 1º de março e 7 de maio.

O grupo Catlin Arctic Survey, liderado pelo explorador Pen Hadow, mediu a espessura do gelo na parte norte do Mar de Beaufort.

Hadow descobriu que as camadas de gelo que se formam no verão têm cerca de 1,8 metro de profundidade, muito pouco em relação ao histórico da região. Tradicionalmente o gelo ali é mais espesso, acumulado em vários anos, e não derrete tão rapidamente.

"Com a maior parte da região coberta por gelo que se forma de um ano para o outro, ela está claramente mais vulnerável", disse Peter Wadhams, que integra o Polar Ocean Physics Group da Universidade de Cambridge e analisou os dados. "A área tem mais probabilidade de se tornar um mar aberto a cada verão, indicando a data potencial quando o gelo de verão do oceano tiver desaparecido completamente".Wadhams afirma que os dados do Catlin Arctic Survey dão suporte a um novo consenso de que o Ártico não terá gelo de verão em 20 anos.

O mar ártico tem uma posição central no sistema climático da Terra, explica Matin Sommerkorn, do World Wildlife Fund (WWF). "A perda de cobertura de gelo tem recentemente sido avaliada como algo que vai iniciar potentes respostas climáticas que terão impacto além do próprio Ártico", disse ele.

"É como se o homem estivesse tirando a tampa da parte norte do planeta", afirma Wadhams, que estuda o gelo ártico desde os anos 60. "Os dados da Catlin Arctic Survey servem de base ao novo consenso - baseado na variação sazonal da extensão e profundidade do gelo - de que o Ártico não terá gelo no verão em cerca de 20 anos, e muito dessa diminuição ocorrerá em dez anos."

Segundo Wadhams, no curto prazo, o derretimento traz alguns benefícios, como mais facilidade na navegação e maior acesso a reservas de petróleo e gás. Mas no longo prazo, a perda permanente do gelo pode acelerar o aquecimento global, mudar os padrões de ventos nos oceanos e na atmosfera e ter efeitos desconhecidos em ecossistemas devido ao aumento da acidez das águas.

Hadow admite que a expedição não produziu nenhum "grande salto adiante no conhecimento", mas afirma que ela ajudou os cientistas a entender mais sobre o gelo, com dados que não estavam disponíveis nas medições por satélite e por submarinos. O explorador contou que está chocado com a perspectiva de ver mudanças em como o planeta é visto do espaço, ainda durante sua vida.

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