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Novas instalações norte-coreanas atiçam polêmica nuclear

Novas instalações norte-coreanas atiçam polêmica nuclear

Atualizado: Segunda-feira, 22 Novembro de 2010 as 10:46

A Coreia do Norte despertou novas preocupações sobre seu programa nuclear depois de revelar uma enorme usina de enriquecimento de urânio com mais de mil centrífugas já instaladas, o que as autoridades americanas classificaram de ato beligerante.

O chefe do Estado-Maior das forças armadas dos Estados Unidos, Michael Mullen, declarou que a "atitude beligerante" da Coreia do Norte está desestabilizando a já volátil região do leste da Ásia.

"Do meu ponto de vista, mais uma vez a Coreia do Norte segue um caminho desestabilizador para toda a região", declarou o almirante Mullen durante o programa State of the Union do canal CNN .

"Há muito tempo que me preocupa a instabilidade na região e, francamente, a Coreia do Norte está no centro de tudo isto", acrescentou. "A informação sobre a nova usina confirma ou mostra que temos boas razões, nos últimos dois anos, para nos preocuparmos com o enriquecimento de urânio, o que negaram sistematicamente".

Urânio fortemente enriquecido pode permitir a produção de armas nucleares. Pyongyang já tem armas atômicas, mas os dois artefatos testados pelo regime comunista foram fabricados com plutônio.

O Japão também se somou à condenação e assinalou que "o desenvolvimento nuclear norte-coreano é totalmente inaceitável do ponto de vista da segurança do Japão e da paz e estabilidade na região", afirmou o porta-voz do governo, Yoshito Sengoku. Por sua parte, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, declarou que a nova usina de enriquecimento de urânio anunciada pela Coreia do Norte dará a esse país o potencial para construir mais armas nucleares.

Segundo o jornal New York Times, a Coreia do Norte mostrou na semana passada a um cientista americano a nova usina para enriquecimento de urânio.

O cientista Siegfried Hecker declarou ao jornal que ficou "pasmo" com a sofisticação da nova usina nuclear e que informou, de forma privada, à Casa Branca suas conclusões. Os norte-coreanos alegam que 2 mil centrífugas já foram instaladas e estão em funcionamento no local, que Hecker teve autorização para percorrer, segundo o NYT .

A publicação não soube informar, no entanto, a localização exata da nova instalação nuclear. Hecker afirmou que viu "centenas e centenas" de centrífugas instaladas em uma "ultramoderna sala de controle". Mas o cientista disse que foi proibido de fazer fotografias e que não teve condições de confirmar a afirmação norte-coreana de que a central já está produzindo urânio levemente enriquecido.

"Há razões para questionar se isto é correto", declarou Hecker, que tem dúvidas sobre o fato de Pyongyang ser capaz de completar o projeto. A nova usina observada por Hecker deve ter sido construída rapidamente, já que não existia quando os inspetores internacionais foram expulsos da empobrecida nação stalinista em abril de 2009, destaca o Times. Fontes do governo americano afirmaram ao jornal que observaram por satélite a área onde se diz que a usina foi construída, mas não confirmaram se já tinham conhecimento de sua existência.

O jornal especula que Pyongyang, que fez o primeiro teste com uma bomba nuclear em 2006, teria que ter recebido ajuda externa para ter condições de construir a nova instalação de maneira tão rápida, além de ter desacatado as rígidas sanções impostas pela ONU. A Casa Branca já informou os aliados e congressistas sobre as revelações de Hecker, e agora esperando um debate global sobre as descobertas.

A revelação foi feita pouco antes da viagem à Ásia do representante americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, que pretende conversar com líderes regionais sobre o polêmico programa nuclear de Pyongyang.

Bosworth viajou no sábado a Seul e também passará por Tóquio e Pequim nos próximos dias.

O presidente americano Barack Obama advertiu recentemente que a Coreia do Norte deve demonstrar seriedade antes da possível retomada das negociações multilaterais sobre seu programa nuclear, que incluem as duas Coreias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos.    

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