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Novo chefe no Afeganistão, Petraeus diz que guerra está em "momento crítico"

Novo chefe no Afeganistão, Petraeus diz que guerra está em "momento crítico"

Atualizado: Segunda-feira, 5 Julho de 2010 as 7:29

O general americano David Petraeus assegurou neste domingo em Cabul que a guerra no Afeganistão está em um ''momento crítico'', ao assumir formalmente o comando das tropas internacionais no país.

''Chegamos a um momento crítico. Devemos demonstrar aos afegãos e ao mundo que não deixaremos que a Al Qaeda e sua rede de aliados estabeleçam de novo refúgios no Afeganistão'', afirmou o general em cerimônia realizada no quartel-general da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf).

''Examinarei nossos esforços civis e militares para determinar que acertos necessitamos'', acrescentou, após destacar que sua ascensão ao comando representa uma mudança de ''pessoal'', e não de ''políticas ou estratégias''.

A sessão foi presidida pelo general Egon Ramms, comandante da força conjunta da Otan Brunsumm, que entregou a Petraeus os estandartes das forças da Isaf, composta por soldados de 47 países, e pelas tropas americanas.

Petraeus, que chegou na sexta-feira (2) na capital afegã após falar à cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em Bruxelas, substitui no cargo o general Stanley McChrystal, afastado no dia 23 de junho pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, após uma polêmica entrevista à revista Rolling Stone onde criticou publicamente o governo e Obama.

O novo chefe das tropas terá autoridade tanto sobre as forças sob comando direto dos EUA como sobre as tropas da Isaf, a missão militar da Otan, na qual participam soldados de 46 países.

Desde sua chegada a Cabul, Petraeus teve reuniões com diferentes oficiais afegãos e o próprio presidente, Hamid Karzai, e no sábado (3) pronunciou um discurso privado no qual pediu unidade entre civis e militares para acertar o rumo da guerra.

Esforço comum

Ainda no sábado (3) - um dia após a chegada à Cabul - o general David Petraeus pediu que se faça um ''esforço comum'' na guerra contra os talebans.

''Este é um projeto no qual devemos fazer um esforço comum e perseguir o mesmo propósito. Civis e militares, afegãos e estrangeiros, somos todos parte de uma equipe com uma missão'', declarou Petraeus.

''Nesta importante tarefa, a cooperação não é opcional e sim imperativa'', assinalou o general, que participou neste sábado da celebração da independência dos Estados Unidos na embaixada americana.

Sua chegada acontece em um momento muito difícil para a coalizão de tropas internacionais, com baixas batendo recordes.

Transferência de controle

No mesmo dia em que o novo chefe da guerra no Afeganistão chegou à Cabul e que militantes talebans atacaram as instalações de uma companhia americana, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, declarou que a aliança pretende começar a devolver o controle do país aos afegãos em novembro.

A transferência do controle das Províncias afegãs às autoridades locais deve ter no início dentro de três meses, declarou Rasmussen.

A Otan (Organização para o Tratado do Atlântico Norte) lidera uma força internacional de 120.000 homens no Afeganistão, e planeja treinar e gradualmente entregar o controle de certas regiões ao Exército e forças policiais afegãs.

Otimista, o anúncio de Rasmussen chega num dos piores períodos da guerra no país. Com o aumento da violência, junho foi o mês mais letal para as tropas internacionais desde o início das operações militares na região.

''Ficaremos no Afeganistão o tempo necessário para terminarmos nosso trabalho, mas obviamente isto não pode ser para sempre'', disse o secretário-geral da aliança militar que mantém tropas de 46 países no Afeganistão durante uma visita à Lisboa, em Portugal, onde a Otan deve realizar uma reunião de cúpula nos dias 19 e 20 de novembro.

Julho de 2011

Para o presidente americano, Barack Obama, o prazo para o início da retirada das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão é julho de 2011.

Em sabatina no Congresso americano, o novo comandante da guerra que as forças dos EUA e da Otan travam no Afeganistão, o general David Petraeus confirmou este prazo, mas alertou que ainda há ''duros combates pela frente''.

Antes de aprovar a nomeação do novo chefe na guerra -- em substituição ao general Stanley McChrystal -- os parlamentares americanos questionaram a possibilidade de cumprir este prazo, em sabatina no Congresso.

A senadora Lindsey Graham foi enfática ao exigir mais transparência sobre a guerra. ''Alguém precisa esclarecer de uma vez por todas que diabos vamos fazer no Afeganistão'', disse.

Ofensiva de Candahar

A esperada ofensiva de grande envergadura contra os insurgentes na vizinha província de Candahar, reduto da insurgência, foi adiada para setembro e, segundo o analista Harun Mir, ''não se sabe se será realizada realmente''.

''McChrystal era muito ligado [ao presidente afegão Hamid] Karzai e não podia criticá-lo, nem mesmo quando era necessário'', considera Harun Mir. ''Petraeus será mais agressivo para convencer Karzai de que avançar sozinho não servirá de nada''.

''Ser capaz de trabalhar com um sócio afegão é fundamental nesta guerra'', acrescenta o professor de Direito da Universidade de Cabul, Wadir Safi.

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