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Número de mortos na Tailândia chega a 10

Número de mortos na Tailândia chega a 10

Atualizado: Sexta-feira, 14 Maio de 2010 as 4:39

O número de mortos nos confrontos entre os "camisas vermelhas" e tropas do exército tailandês que ocorrem desde ontem subiu para 10. Só nesta sexta-feira (14), nove pessoas foram mortas e mais de 100 ficaram feridas, segundo o Centro Médico Erawan, em Bancoc.

Os confrontos ocorreram em vários locais do centro da capital depois que os militares tentaram criar uma área de isolamento em torno do acampamento dos oposicionistas.

Desde o início dos conflitos ontem, nove homens e uma mulher morreram e o general Khattiya Sawasddipol, importante integrante dos "camisas vermelhas", foi gravemente ferido com um tiro na cabeça.

A eletricidade foi cortada na zona ocupada pelos manifestantes e o bloqueio feito pelo exército na área é total, disse o porta-voz do exército, coronel Sunsern Kaewkumnerd.

Os militares usaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes e um ônibus do exército foi incendiado. Tiros também foram ouvidos no parque Lumpini.

Brasil fecha embaixada

A falta de segurança na zona central de Bancoc e um possível conflito entre as forças militares e os oposicionistas “camisas vermelhas” fizeram a Embaixada do Brasil na Tailândia fechar as portas nesta sexta-feira (14). As embaixadas dos EUA e Reino Unido permanecem fechadas desde ontem.

Segundo o encarregado de negócios da embaixada brasileira, Mathias Vilhena, o edifício da embaixada fica a uma quadra do bloqueio montado pelos militares ao redor do acampamento dos manifestantes. A decisão de fechar o órgão ocorreu momentos antes de um violento confronto começar, onde uma pessoa morreu, de acordo com Vilhena.

De acordo com Vilhena, o edifício da Embaixada do Brasil na Tailândia pode ser reaberto a partir de segunda-feira (17), dependendo da situação e da segurança do local.

Cerca de 200 brasileiros moram permanentemente na Tailândia. A maior parte deles, fora da região do centro de Bancoc, região mais crítica da capital. Segundo Vilhena, a situação é bem mais tranquila nas demais áreas da cidade e nos bairros residenciais.

A embaixada recomenda aos turistas e moradores brasileiros  que evitem o centro de Bancoc e a região nordeste da Tailândia nos próximos dias. De acordo com Vilhena, na embaixada, a maior procura por informações sobre a situação do país vem de turistas brasileiros que têm planos de viajar para a Tailândia.

O estado de emergência foi decretado na capital do país e nas seguintes províncias: na região central do país - Nonthaburi, Samut Prakan, Pathum Thani, Nakhon Pathom e Ayutthaya; na região nordeste - Udon Thani, Chaiyaphum, Khon Kaen, Nakhon Ratchasima e Si Sa Ket; na região norte: Chiang Mai, Chiang Rai, Nan, Lampang e Nakhon Sawan; na região leste - Chon Buri.

A embaixada também aconselha prudência caso as forças de segurança adotem medidas para desalojar os "camisas vermelhas" da área onde estão acampados, no centro financeiro de Bancoc.

Todas as recomendações aos brasileiros que moram ou pretendem viajar para a Tailândia estão no site da embaixada. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone do órgão 00xx662 679-8567 ou no número de plantão 00xx6681 906-4238.

Conflitos

A crise se aprofundou na Tailândia na quinta-feira (13), com a decisão do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, de cancelar as eleições antecipadas e de enviar blindados para isolar o bairro de Bancoc onde os "camisas vermelhas" permanecem entrincheirados.

A capital do país está afundada na violência, depois de 10 dias nos quais as negociações pareciam ter prevalecido entre o primeiro-ministro Vejjajiva e os líderes "vermelhos", ligados ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, atualmente no exílio.

Shinawatra pediu nesta sexta-feira (14) que o governo retire as tropas das ruas e retome as negociações com os manifestantes.

"Acredito que uma solução política continua sendo possível na Tailândia, e o primeiro-ministro pode evitar que existam mais vítimas e pode salvar o país", afirma Shinawatra em um comunicado divulgado por seu conselheiro jurídico em Bancoc.

Shinawatra governou a Tailândia durante cinco anos, mas foi deposto em 2006 por um golpe de Estado.

Os partidários dele protestam há dois meses contra o atual governo.

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