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Obama anuncia acordo com Rússia para reduzir arsenal nuclear

Obama anuncia acordo com Rússia para reduzir arsenal nuclear

Atualizado: Sexta-feira, 26 Março de 2010 as 12

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira, dia 26, a finalização do novo tratado de desarmamento nuclear com a Rússia, após quase um ano de negociações, que reduzirá em cerca de um terço o arsenal de ambos os países.

Obama, que classificou o tratado como um dos mais amplos das últimas duas décadas, disse ainda que o acordo fortalece os esforços globais de não proliferação --tema que ele considera prioritário em seu governo.

O novo tratado substituirá o Start 1, de 1991, expirado em 5 de dezembro passado. Ele é negociado desde julho passado, quando Obama e o presidente russo, Dmitri Medvedev, acordaram com um novo documento cortando os arsenais de ambos os lados de 2.200 ogivas para 1.550.

Segundo Obama, o tratado garante ainda um regime "forte e efetivo" de verificação e mantém "a flexibilidade que nós precisamos para avançar na nossa segurança nacional e garantir nosso comprometimento com a segurança de nossos aliados".

"Com este acordo, Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências mundiais, também mandam um claro sinal de que nós pretendemos liderar. Ao concluir nosso compromissos sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, nós fortalecemos nossos esforços globais para impedir a proliferação destas armas, e garantir que outras nações assumam suas próprias responsabilidades", disse o presidente.

Obama afirmou ainda que a prioridade dos EUA é garantir a segurança das armas nucleares, para que não caiam nas mãos de terroristas. O recado foi repetido pelos secretários de Defesa, Robert Gates, e de Estado, Hillary Clinton, que participaram também do anúncio à imprensa.

"De muitas maneiras, as armas nucleares representam os dias mais negros da Guerra Fria,

e uma das maiores ameaças de nosso tempos. Hoje, nós tomamos um novo passo em deixar o legado do século 20 para trás e garantir a segurança de nossos filhos", disse Obama.

Obama revelou ainda que o tratado deve ser assinado em 8 de abril, na República Tcheca, junto com o presidente Medvedev.

Na semana seguinte, contou Obama, Washington receberá 40 nações parla uma cúpula que discutirá a segurança dos arsenais nucleares "para que nunca caiam nas mãos de terroristas".

Ratificação

Obama, que assinou nesta semana sua reforma da saúde após longa batalha no Congresso, disse ainda que sua administração vai entrar em contato com os líderes democratas e republicanos e que espera uma "união bipartidária" no Senado para a ratificação do tratado.

Hillary também afirmou que o governo trabalha para "engajar" os membros do Senado. "Não darei prazos, mas estou confiante na ratificação".

Ela disse ainda que EUA não precisam de todas as ogivas nucleares que têm atualmente para garantir sua segurança e a de seus aliados "contra duas das maiores ameaças do mundo, a proliferação nucleares e o terrorismo".

Ela ressaltou ainda que os EUA continuarão tendo desavenças com o governo russo, "mas este tratado é exemplo de profundo entendimento e de como o princípio da diplomacia pode trazer resultados nos interesses nacionais" - um aparente recado para os duros críticos sobre o pouco avanço da política de braços abertos de Obama.

Negociações

Há vários meses, Moscou e Washington realizam negociações em Genebra para acertar um novo tratado de desarmamento estratégico, que vai substituir o Start 1, assinado em 1991 e cuja vigência expirou em 5 de dezembro do ano passado.

Há mais de seis meses, negociadores americanos e russos se reúnem regularmente em Genebra para elaborar o novo documento, a pedra angular do "relançamento" desejado pelos presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, depois de anos de "paz fria" durante o governo de George W. Bush e após o breve conflito com a Geórgia, aliada dos EUA, em 2008.

Ambos os presidentes acordaram em julho passado buscar um novo texto, cortando os arsenais de ambos os lados para um total de ogivas variando entre 1.500 e 1.675 ogivas, cada um.

O Start 1, assinado pelos presidentes soviético Mikhail Gorbachev e americano George H.W. Bush, exigia que os dois países reduzissem suas ogivas em ao menos um quarto, para cerca de 6.000, e implementassem medidas para verificar se o outro lado está cumprindo o tratado.

Um texto mais recente de desarmamento nuclear entre os dois rivais de Guerra Fria, assinado por George W. Bush e o então presidente russo, Vladimir Putin, limita o arsenal de cada país a 2.200 ogivas, até 2012.

A Rússia insiste que o novo tratado deve regular também o desenvolvimento dos sistemas de defesa antimísseis, enquanto que os EUA consideram que este é um tema que deve ser negociado separadamente.

Moscou também tem sido relutante em conceder aos especialistas dos EUA acesso aos dados da Rússia sobre novos testes de mísseis, o que tornaria difícil, segundo alerta do próprio Obama, a sua aprovação no Senado americano.

Qualquer acordo teria de ser ratificado pelos legislativos de ambos os países.

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