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Obama diz que vazamento de petróleo é desastre sem precedentes

Obama diz que vazamento de petróleo é desastre sem precedentes

Atualizado: Segunda-feira, 3 Maio de 2010 as 9:11

O presidente dos EUA, Barack Obama, concede entrevista em Venice, Louisiana; governante disse que vazamento é desastre sem precedentes

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou neste domingo (2) de ''potencialmente sem precedentes'' os danos ecológicos e econômicos causados pelo derramamento de petróleo na vulnerável costa do golfo do México.

Obama, que realiza uma visita ao estado da Louisiana, atingido pela maré negra, afirmou ainda que a companhia britânica BP é claramente responsável pelo enorme derramamento de petróleo e deverá pagar pela limpeza.

''Então me deixem ser claros. A BP é responsável por esse vazamento e vai pagar a conta. Mas, como presidente dos Estados Unidos, não vou economizar esforços para reagir a esta crise pelo tempo que for necessário''.

Quanto aos danos causados pelo vazamento, o presidente afirmou que a situação pode ser qualificada como um verdadeiro desastre ambiental.

''Agora, eu acredito que os americanos estão cientes, certamente o povo do golfo está ciente, de que estamos lidando com um grande e potencialmente sem precedentes desastre ambiental''.

O presidente afirmou, ainda, que os danos à região deverão ser sentidos ''por muito tempo''.

''O petróleo que ainda está vazando pode danificar seriamente a economia e o meio-ambiente de nossos estados do golfo. Isso pode durar por muito tempo e pôr em perigo a subsistência de milhares de americanos que chamam esse lugar de casa''.

Obama rebateu as críticas à supostamente lenta reação das autoridades ao destacar que ''o governo federal liderou e coordenou uma intervenção na qual todos os atores estão totalmente envolvidos desde o primeiro dia''.

Ventos prejudicam contenção de mancha

A catástrofe ambiental foi deflagrada no dia 22 de abril, com o afundamento de uma plataforma de petróleo da BP no golfo do México.

Os fortes ventos e o mar agitado interromperam no último sábado (1º) as operações dos barcos encarregados de conter a maré negra, que já alcançou a costa e ameaça se tornar uma das piores catástrofes ecológicas da história dos Estados Unidos.

A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, disse que, apesar de todos os esforços, ''a mãe natureza não está cooperando''.

''As condições meteorológicas impedem a queima (do petróleo) no mar, sua recuperação ou qualquer outra operação''.

O almirante da Guarda Costeira Thad Allen, designado no último sábado por Obama para dirigir as operações, revelou que as equipes de intervenção esperam uma oportunidade para retomar a queima de partes da maré negra.

De acordo com Allen, as equipes trabalham contra o tempo, já que o vazamento pode aumentar e chegar aos 16 milhões de litros por dia, algo muito superior à estimativa atual de 800 mil litros diários.

Empresa tenta deter vazamento

A BP trabalha em três frentes para deter o vazamento. Seis robôs submarinos tentam fechar a válvula do poço, que pesa 450 toneladas. A companhia também iniciou a perfuração de poços secundários para reduzir a pressão e injetar uma substância para fechar definitivamente o poço. A empresa ainda está construindo uma enorme cúpula, de 70 toneladas, para colocá-la no fundo do mar e canalizar a saída do petróleo.

O presidente da BP América, Lamar McKay, já admitiu que o acidente com a plataforma foi provocado por uma peça defeituosa. O secretário americano de Assuntos Internos, Ken Salazar, confirmou neste domingo que ''não há dúvidas de que o mecanismo da válvula preventiva da base do poço apresentou defeito''.

O aumento da área atingida pelo petróleo deflagrou estado de emergência na Louisiana, na Flórida, no Alabama e no Mississippi.

A costa da Louisiana é um santuário de fauna, particularmente de aves marinhas, e a da Flórida abriga uma enorme indústria pesqueira e turística. A plataforma Deepwater Horizon continha 2,6 milhões de litros de petróleo armazenados e extraía cerca de 1,27 milhão de litros por dia.

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