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Obama intensificará pressão por diálogo direto de Bibi com palestinos

Obama intensificará pressão por diálogo direto de Bibi com palestinos

Atualizado: Terça-feira, 6 Julho de 2010 as 9:06

O presidente dos EUA, Barack Obama, terá hoje em Washington seu quinto encontro, desde que tomou posse, com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu. Desta vez, porém, o governo americano promete dar um passo a mais. A Casa Branca já adiantou que pressionará Israel a retornar à mesa de negociações com a Autoridade Palestina (AP), superando o "diálogo indireto" que vigora desde a eleição de Obama.

Ontem, palestinos e israelenses deram o primeiro sinal em quase dois anos de que a volta do processo de paz pode não estar tão distante. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad - que é elogiado tanto em Washington quanto em Israel -, reuniu-se com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. No encontro, o representante da AP pediu a Israel que contribua com o fortalecimento das forças de segurança.

Fayyad quer que Israel autorize as forças da AP - armadas e treinadas por EUA e União Europeia (UE) - a ter mais espaço de atuação na Cisjordânia. O apoio, afirmou o premiê palestino, daria uma sensação de que se está "realmente construindo um Estado".

Em Washington, os sinais de otimismo têm ganhado evidência. Na semana passada, o responsável pelo Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional, Daniel Shapiro, afirmou que "as distâncias" entre israelenses e palestinos "foram encurtadas". O próximo passo seria trazer os dois lados de volta ao diálogo, disse Shapiro. Michael Oren, embaixador de Israel nos EUA, confirmou que Washington estava pressionando pela retomada do diálogo direto com a AP.

Assentamentos e TNP. Depois de viver uma das maiores crises na história da "relação especial" entre EUA e Israel, Obama e Netanyahu devem adotar um tom ameno. Agora, os dois prometem posar juntos para fotos - o último encontro terminou sem que Obama e Netanyahu aparecessem em público lado a lado, num claro sinal de mal-estar.

Obama já iniciou a reaproximação ao não condenar Israel no episódio da Frota da Liberdade que tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza. Além disso, a adoção de sanções unilaterais na semana passada contra o Irã - considerado por Israel seu principal inimigo - foi bem vista pelo governo de Netanyahu.

A crise causada pelo anúncio da construção de novas casas em Jerusalém Oriental enquanto o vice-presidente Joe Biden visitava Israel já foi superada. Congressistas americanos próximos de Israel agiram para impedir que a relação entre os dois países se deteriorasse.

Apesar da boa vontade dos dois lados, existe a possibilidade de novos atritos na questão dos assentamentos. Obama acha fundamental a prorrogação do congelamento na expansão dos assentamentos. O problema para Netanyahu, conforme advertia ontem a imprensa em Israel, é que integrantes de sua coalizão, uma das mais conservadores da história do país, dizem que o primeiro-ministro não pode ceder aos americanos.

"Eliminar o congelamento (em setembro) é o mínimo que pode ser exigido para preservar Israel como um Estado autônomo", disse declaração assinada pelos dirigentes de todos os partidos da coalizão de Netanyahu.

Os israelenses também estão cautelosos com a posição americana em relação ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). O texto da revisão do acordo inclui uma parágrafo prevendo a realização de uma conferência no ano que vem para tornar o Oriente Médio livre de armas nucleares. Israel não é signatário do TNP e é a única potência nuclear da região.

Pontos chaves

Estado palestino

Washington pressiona pela chamada "solução de 2 Estados": Israel e Palestina. O chanceler de Israel, Avigdor Lieberman (foto), disse que "não haverá Estado palestino até 2012"

Assentamentos 2.700

É o número de construções na Cisjordânia que Israel quer fazer a partir de setembro. EUA opõem-se à política de colonização

Faixa de Gaza

Obama pede o fim do bloqueio ao território palestino, mantendo

medidas para conter o Hamas. Israel aliviou o cerco, mas ainda impõe restrições à entrada de materiais de construção

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