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Obama pede maior parceria com China

Obama pede maior parceria com China

Atualizado: Quarta-feira, 29 Julho de 2009 as 12

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu segunda-feira, 27 de julho, uma maior cooperação econômica entre os EUA e a China, no primeiro dia do Diálogo Estratégico e Econômico Global entre os dois países. E solicitou que os chineses incentivem o aumento do consumo interno.

A China, por sua vez, voltou a demonstrar preocupação sobre o déficit orçamentário americano e a possível desvalorização do dólar.

"À medida que os americanos poupam mais e os chineses gastam mais, podemos colocar o crescimento numa base mais sustentada, porque, assim como a China se beneficia do investimento substancial e de exportações lucrativas, o país também pode ser um grande mercado para os produtos americanos", declarou Obama.

Para o presidente americano, a ligação entre Washington e Pequim vai marcar o século 21. "Essa é a responsabilidade que carregamos." Segundo ele, há "interesses mútuos" entre os dois países. "Se nós avançarmos nesses interesses por meio da cooperação, nossos povos vão se beneficiar e o mundo estará em situação melhor, já que a nossa capacidade de cooperar uns com os outros é um pré-requisito para o progresso em muitos de nosso desafios globais mais prementes."

O encontro de dois dias em Washington que se encerrou ontem, dia 28, foi focado numa série de questões espinhosas que abrangem desde a crise financeira até as ambições nucleares do Irã e da Coreia do Norte. A secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, representam o lado americano, enquanto o conselheiro de Estado, Dain Bingguo, o vice-primeiro-ministro, Wang Qishan, e o ministro assistente de Finanças, Zhu Guangyao, estão do lado chinês.

A China respondeu ao pedido de Obama dizendo que incrementar o consumo interno para puxar o crescimento mundial não é tão simples. "Os fundamentos para a estabilidade econômica e para a virada ainda não são sólidos o suficiente e a recuperação da China será um complexo e tortuoso processo", afirmou o ministro chinês Zhu Guangyao.

Os chineses voltaram a cobrar os americanos para que controlem a alta do seu déficit orçamentário. "Esperamos sinceramente que o déficit fiscal dos EUA seja reduzido ano após ano, de acordo com os objetivos da administração Obama", afirmou ainda Zhu Guangyao. Para este ano fiscal, a previsão é que o déficit fiscal dos Estados Unidos deve passar de US$ 1,8 trilhão.

A China ainda pediu que os EUA mantenham uma taxa cambial estável. Os formuladores da política econômica chineses têm pressionado os Estados Unidos a aplicar uma política fiscal e monetária mais responsável como forma de evitar inflação no longo prazo, o que enfraqueceria o dólar e desvalorizaria o gigantesco volume de ativos em moeda americana da China. Da reserva internacional chinesa, que já passa de US$ 2 trilhões, US$ 800 bilhões são títulos da dívida americana.

No entanto, os dois países concordaram que ainda é cedo para retirar os estímulos econômicos para combater a crise, segundo o coordenador sênior do Departamento do Tesouro para assuntos da China David Loevinger. "Eu penso que existe um acordo geral de que é muito importante que isso não ocorra muito cedo porque a recuperação ainda é muito frágil, mas também um reconhecimento de que (a retirada dos estímulos) têm de ocorrer no momento certo e não deixar outra série de desequilíbrios e bolhas construídas na economia", disse Loevinger.

Obama ainda declarou apoio ao pleito dos países emergentes, entre eles a China, para a reformulação das organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização das Nações Unidas. "Podemos melhorar as instituições internacionais, de modo que economias em crescimento como a China tenham um papel maior, condizente com sua responsabilidade maior", afirmou.

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