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ONU confirma pedido para que Bill Clinton coordene ajuda ao Haiti

ONU confirma pedido para que Bill Clinton coordene ajuda ao Haiti

Atualizado: Quinta-feira, 4 Fevereiro de 2010 as 12

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje a Bill Clinton, o enviado especial para o Haiti e ex-presidente dos Estados Unidos (1993-2001), que lidere os esforços para reconstruir o país, devastado por um terremoto, no último dia 12. Ban e Clinton se reuniram hoje na sede da organização para analisar a situação.

O secretário-geral da ONU pediu a Clinton que "assuma o papel de líder na coordenação dos esforços internacionais para a reconstrução do Haiti". O ex-presidente "está envolvido com o Haiti e pode não só mobilizar os líderes políticos e empresariais do mundo, como coordenar os esforços de recuperação e reconstrução", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

Clinton, que no ano passado foi nomeado enviado especial da ONU para aquele país, terá de trabalhar a partir de agora em coordenação com o presidente René Préval e com as agências do sistema das Nações Unidas presentes na nação. Entre suas tarefas estará a coordenação das doações internacionais realizadas pelos governos, assim como os investimentos privados dirigidos ao país.

"Farei o melhor possível", disse Clinton, ao fim da reunião com Ban, em que ressaltou o desafio que representa a reconstrução da infraestrutura.

O ex-presidente, que é marido da secretária de Estado Hillary Clinton, tem estado ativamente envolvido nos esforços de ajuda ao Haiti desde que o país foi atingido por um forte terremoto e já visitou a nação para testemunhar a destruição.

Durante o ano de 2009, o ex-presidente viajou ao Haiti em várias ocasiões para tentar levar investimentos privados à empobrecida nação caribenha.

Brasil

Na liderança militar da missão de paz da ONU no Haiti, a Minustah, o Brasil prepara grande pacote com projetos para reestruturar o Haiti, informou hoje o general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar as medidas --algumas já em andamento antes mesmo do terremoto-- durante a viagem que fará ao país no fim de fevereiro, provavelmente dia 25.

Entre os projetos há um de coleta e reciclagem de lixo realizado já antes do terremoto que deverá contar com um aporte de recursos para atender cerca de 150 mil pessoas, afirmou o embaixador Antônio Simões. Também estão em análise projetos de estruturação nos setores como agricultura e construção de casas populares de baixo custo, que possam ser erguidas o mais rápido possível.

Outra iniciativa deverá ocorrer na área de formação de mão de obra, em uma parceria governamental com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Substituição

Conforme o mesmo general, o governo conclui até sexta-feira (5) a troca de todo o efetivo militar que está no Haiti. Para Félix, a medida é "benéfica" porque os recém-enviados não enfrentam o trauma daqueles 1.266 que estavam lá, no dia do terremoto. "Na visão daqueles que estavam no comando do batalhão brasileiro no Haiti, talvez isso seja até muito benéfico porque são pessoas que não sofreram aquele impacto inicial de verem os colegas morrerem, serem feridos", disse.

O governo enviará também um reforço imediato de outros 900 militares, já autorizado pelo Congresso e pela ONU. Esses homens serão empregados na segurança e nas ações para ajuda humanitária.

No balanço das ações, Jorge Félix ressaltou que a FAB (Força Aérea Brasileira) já realizou 60 voos, nos últimos 20 dias, para levar pessoal e ajuda humanitária aos haitianos durante a fase de socorro imediato ao país. Além disso, o navio Almirante Saboya deverá chegar no dia 17 a Porto Príncipe. Na segunda quinzena de fevereiro, outro navio brasileiro irá àquele país.

Também já foram entregues aos haitianos, pelo Brasil, 225 toneladas de medicamentos e 220 toneladas de alimentos, além de água. O hospital de campanha instalado pelos brasileiros já realizou 3.059 atendimentos e 90 cirurgias de médio e grande porte, o que dá uma média de seis intervenções por dia.

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