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ONU se mostra incapaz de chegar a um acordo sobre Coreias

ONU se mostra incapaz de chegar a um acordo sobre Coreias

Atualizado: Segunda-feira, 20 Dezembro de 2010 as 10:52

O Conselho de Segurança (CS) da ONU se mostrou incapaz de conseguir o consenso para diminuir o nível de tensão entre as duas Coreias e buscar uma saída política para essa crise, embora ainda continue com as negociações.   "O CS não chegou a um compromisso para um acordo", afirmou o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, assinalando que "a situação continua tensa e perigosa".

"É importante levar em conta que esta situação tem uma única origem: o comportamento provocador da Coreia do Norte", afirmou, por sua vez, a embaixadora dos Estados Unidos e presidente de turno do CS, Susan Rice.

Os membros permanentes e com direito de veto (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China) do Conselho, que é o principal órgão de decisões das Nações Unidas, encenaram durante este fim de semana as posturas distantes que mantêm a respeito ao conflito da península coreana.

As frequentes tensões entre Seul e Pyongyang aumentaram desde que no dia 23 de novembro o Exército norte-coreano disparou artilharia contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong.

Após esse incidente nas águas do Mar Amarelo, que divide as fronteiras das duas Coreias, o sul decidiu realizar manobras militares, em uma ocasião com os EUA, e que já confirmou que repetirá esta segunda-feira.

O regime comunista ditatorial de Kim Jong-il já assinalou na sexta-feira que se essas manobras acontecerem, haveria um ataque ainda "mais mortal" contra a ilha de Yeonpyeong, ao mesmo tempo em que, segundo a agência sul-coreana "Yonhap", Pyongyang aumentou o estado de alerta de sua costa oeste.

"Não conseguimos abrir caminho para cobrir a distância que nos separava", admitiu Churkin ao término do encontro que seu país solicitou no sábado e que, segundo Susan, se atrasou até domingo porque "alguns membros do Conselho precisavam de tempo para consultar suas capitais".

Rússia e China, os principais aliados da Coreia do Norte, com a qual ambos têm fronteira, têm posições diferentes dos demais países do principal órgão das Nações Unidas.

Tanto Susan como Churkin concordaram em que as divergências são grandes demais, e que algumas das delegações precisam de mais consultas com suas capitais.

O diplomata russo insistiu em que sua delegação "fez todo o possível" para evitar a crise, ao mesmo tempo em que indicou que esperava que os esforços deste domingo, que prosseguirão nos próximos dias, "nos levem a evitar o pior na península da Coreia".

A Rússia pediu que se realizasse uma sessão privada do Conselho com os representantes de Seul e Pyongyang, e aos quais lembrou que "as duas partes têm que mostrar contenção".

A Rússia pediu também que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeie um enviado que vá em caráter urgente à península coreana e ajude a resolver a situação por meios diplomáticos e pacíficos.

Um dos pontos que causou o bloqueio das negociações e que não deixou produzir um texto foi a falta de consenso para condenar os incidentes do dia 23 de novembro, já que a China se opôs a considerar que o único culpado da escalada da tensão seja o norte.

Susan assinalou que "a maioria dos países acredita que os ataques da Coreia do Norte têm que ser claramente condenados."

"Os Estados Unidos condenam o ataque por parte da Coreia do Norte", assinalou a embaixadora americana, que o qualificou de "premeditado" e sem que intermediasse a provocação por parte de seu aliado sul-coreano, do qual disse que até agora mostrou "a máxima contenção" frente às "provocações" de Pyongyang.

"Com esse ataque, as autoridades norte-coreanas violaram o armistício que em 1953 pôs fim às hostilidades entre as duas partes, embora não à guerra", acrescentou.

"A resposta da Coreia do Sul foi inerente a seu próprio direito à autodefesa", afirmou Susan, cujo país tem desdobrados 28.500 soldados em território sul-coreano e vigia a zona desmilitarizada estipulada no armistício de 1953.

Ela também declarou que os exercícios militares sul-coreanos "são defensivos e não levam ameaça alguma para a Coreia do Norte", acrescentando que Washington pode conseguir "progressos com Tóquio, Pequim, Moscou e Seul".

"A porta está aberta para que Pyongyang se una e se beneficie do esforço, mas só se abandonar sua noção errada que conseguirá seus objetivos, não por meio da violência, das ameaças e das provocações", acrescentou.    

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