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Oposição a Evo pede diálogo, mas população prepara resistência em Santa Cruz

Oposição a Evo pede diálogo, mas população prepara resistência em Santa Cruz

Atualizado: Quarta-feira, 17 Setembro de 2008 as 12

O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, pediu ontem, dia 16 de setembro, que seja reaberto o diálogo direto com o presidente da República, Evo Morales, e advertiu a população a não aceitar provocações se a cidade for invadida por integrantes dos movimentos sociais formados por descendentes de índios pobres, partidários de Morales, e que planejam fazer uma marcha com milhares de integrantes."Pedimos a todos os cruzenhos que não caiam em provocação do MAS [partido do governo]. Se eles quiserem vir ao departamento, que venham. Se querem vir à praça principal, que venham. Se o governo quiser prender nossos líderes, estaremos em nossos escritórios. Não temos nada a esconder, não cometemos um crime sequer", disse Marinkovic.

Ele leu uma nota com seis pontos na sede da entidade, durante coletiva à imprensa, e exigiu a libertação imediata do governador de Pando, Leopoldo Fernandez, preso pelo Exército, e também o fim do estado de sítio decretado no departamento. O dirigente fez um chamamento ao presidente da República para que encabece o diálogo com a oposição e reiterou que a luta pela autonomia de Santa Cruz era difícil, mas que deveria ser apoiada por todos.

Ao mesmo tempo em que o presidente do Comitê Cívico falava aos jornalistas, dezenas de pessoas protestavam contra o governo federal na Praça 24 de Setembro, no centro da cidade.Apesar de Marinkovic ter pedido calma à população, os ânimos estão exaltados diante da possibilidade da cidade ser invadida pelos movimentos sociais.

"Cada bairro tem sua organização e há grupos que assumem a defesa. É uma resistência com todos os meios que têm um cidadão. Nós não vamos ser mansos e deixar nos atropelar, as armas vão aparecer quando tiverem de aparecer", alertou o advogado Eduardo Serrate.

"Se eles vierem à cidade é porque querem provocar e nós vamos deixar claro que podemos nos defender. As mulheres, os velhos, os jovens vão se levantar. Olho por olho e todo mundo ficará cego", afirmou a universitária Maria José Valdivez.

"Lamentavelmente eles vão encontrar uma resistência muito forte. Se vierem com porretes, porretes vão receber. Se vierem com armas, armas vão receber, porque nós estamos dispostos a brigar e a matar. É preciso ir à guerra para conseguir a paz e parece que estamos chegando a este extremo. Jamais vamos aceitar uma ditadura, não queremos ser cópias mal feitas nem de Cuba, nem da Venezuela", declarou a ativista política Eva Sara Landau.

O artesão Gozalo Torrico, que vive da fabricação de imagens de santos, estava pronto para uma guerra. Ele segurava um cano de ferro, pronto para o combate. "Vai haver resistência. Não podemos deixar que gente de fora venha e diga o que temos de fazer. Se eles mostrarem armas, nós também vamos nos armar. Vamos comprar armamento e resistir", afirmou Torrico.

O governo boliviano garantiu, por meio da agência oficial de informações, que a marcha dos movimentos sociais, que sairia de Caracol, por hora está suspensa, para permitir as negociações.

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