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Oposição mantém pressão sobre Mubarak no 15º dia de crise no Egito

Oposição mantém pressão sobre Mubarak no 15º dia de crise no Egito

Atualizado: Terça-feira, 8 Fevereiro de 2011 as 9:50

Milhares de manifestantes continuavam nesta terça-feira (8) acampados na Praça Tahrir, no centro Cairo, exigindo a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

O país continuava em um impasse, no 15º dia de protestos contra o regime de Mubarak, no poder há 30 anos.

Dois dias após o início formal da negociação com os vários grupos da oposição egípcia, o governo fez concessões, consideradas insuficientes.

Na praça, manifestantes dormiam em barracas, muitos deles perto dos tanques do Exército posicionados nos acessos à praça.     Uma grande faixa com a frase "O povo exige o fim do regime" permanece no local. A praça, um cruzamento de avenidas normalmente congestionado pelos engarrafamentos, virou uma área de pedestres.

Reformas constitucionais

O presidente Mubarak criou uma comissão para reformar a Constituição, anunciou nesta terça (8) o vice-presidente Omar Suleiman.

A criação havia sido acertada durante reunião entre governo e oposição dois dias antes.

Suleiman também disse que o Egito tem um plano e um cronograma para a transferência pacífica de poder. Ele reiterou que o governo não perseguirá manifestantes que pediram a queda do presidente.     "O presidente recebeu bem o consenso nacional, confirmando que estamos colocando nossos pés no caminho certo para sairmos da crise atual", disse o vice na TV estatal após encontro com Mubarak.

Na segunda, o governo anunciou um aumento de 15% nos salários do funcionalismo e nas aposentadorias. Mais cedo, o novo gabinete ministerial -em sua primeira reunião completa- prometeu investigar casos de fraude eleitoral e corrupção no serviço público.

O ministro das Finanças, Samir Radwan, disse que os aumentos vão custar US$ 960 milhões e vão valer a partir de abril, para mais de 6 milhões de pessoas.

No passado, o funcionalismo público foi um dos pilares de sustentação do regime, mas ele ficou minado por conta das recentes crises financeiras.

O governo e as forças armadas tentavam fazer o país, o mais populoso do mundo árabe, a voltar ao trabalho.

Os bancos reabriram no domingo, e a Bolsa de Valores deve reabrir no próximo dia 13.

O toque de recolher, que vigora desde 28 de janeiro, foi encurtado em uma hora nesta segunda, e agora vale de 20h às 6h.     A Irmandade Muçulmana, importante força de oposição e um dos grupos que se reuniu com autoridades governantes no final de semana, anunciou que as reformas propostas por Mubarak são "insuficientes". "As demandas são ainda as mesmas. O governo não respondeu à maioria deles, apenas a algumas e de forma superficial", disse Essam al-Aryane, um dirigente da Irmandade.  

Com alguns egípcios ansiosos por um retorno à normalidade, o governo alertou sobre os danos à estabilidade econômica e à economia que vão decorrer do prolongamento dos protestos, que abalaram o Oriente Médio e abriram um novo capítulo na história moderna do Egito.    

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