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Oposição pode pedir anulação do segundo turno de eleição na Libéria

Oposição pode pedir anulação do segundo turno de eleição na Libéria

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 3:13

O candidato de oposição disse que poderia pedir a anulação da eleição presidencial da Libéria , boicotada por seus partidários, aumentando a perspectiva de um confronto em um país que ainda se recupera de uma guerra civil.

Muitos liberianos ficaram em casa durante a votação de terça-feira (8), seja por medo de uma repetição da violência relacionada com as eleições do início desta semana ou obedecendo a uma convocação de boicote feita por Winston Tubman, principal rival da presidente Ellen Johnson Sirleaf.

Tubman alegou que houve fraude no primeiro turno da eleição no mês passado, no qual a recém agraciada pelo Prêmio Nobel da Paz obteve uma vantagem de 11 pontos.

"Nós não vamos aceitar o resultado. Dissemos a eles que não íamos votar e eles foram adiante e colocaram nossas fotos nas cédulas. Não só as pessoas do CDC (o partido de Tubman, de oposição) boicotaram, mas muitos liberianos nos ouviram", disse nesta quarta-feira Tubman, que foi um importante assessor do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Votos do segundo turno da eleição da Libéria são contados na noite desta terça-feira

 (8) em Monróvia, capital da Libéria (Foto: Reuters) Tubman declarou à Reuters que iria considerar uma forma legal de anular os resultados do segundo turno.

"Eu acho que é uma possibilidade, e poderia ser a forma mais abrangente de abordar este conflito", afirmou.

'Eu nunca vou pedir uma guerra contra o governo. Nós passamos por uma guerra que matou 300 mil pessoas. Nós não queremos ir por esse caminho novamente.'

O Comitê Nacional de Eleições disse que iria começar a divulgar os resultados do segundo turno na noite de quinta-feira.

Trata-se da primeira eleição presidencial organizada localmente na Libéria desde 2003, quando se encerraram 14 anos de confrontos que mataram quase 250 mil pessoas. A Organização das Nações Unidas promoveu uma votação em 2005 que também terminou em controvérsia.

A Libéria quer usar a sua riqueza em ferro e outros recursos para se reconstruir. Críticos de Ellen, a primeira mulher livremente eleita chefe de Estado na África, afirmam que o progresso em seu primeiro mandato foi muito lento.

Uma organização que monitora a eleição, o Instituto Democrático da Libéria, disse na terça-feira que o comparecimento para votar pode ter sido de 25% a 35% dos eleitores, menos da metade dos 71% registrados no primeiro turno, quando os liberianos fizeram fila nas seções eleitorais.

Uma presença tão baixa pode minar a autoridade da presidente em um segundo mandato e até fazer com que ela abra o diálogo com Tubman, avaliaram analistas.

Garotos vendiam nas ruas jornais com manchetes como 'Vitória?' e 'Eleitores desafiam ameaças com calma e coragem'. Muitos diários trouxeram fotos na primeira página de vítimas dos confrontos de segunda-feira entre policiais e manifestantes da oposição, nos quais ao menos dois morreram.

Ellen obteve quase 44% dos votos no primeiro turno, em 11 de outubro, enquanto Tubman teve 33%, mas saiu da disputa do segundo turno na semana passada e convocou o boicote.

Tubman havia dito que ele só estaria disposto a participar do segundo turno se fosse adiado em duas ou quarto semanas e se os procedimentos de contagem fossem mudados.

Observadores eleitorais internacionais consideraram a votação de 11 de outubro em sua maior parte livre e justa. Os Estados Unidos, as Nações Unidas, o bloco regional CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) e a União Africana criticaram a decisão de Tubman de boicotar o segundo turno.            

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