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Opositores de Putin são soltos após protestos contra eleição

Opositores de Putin são soltos após protestos contra eleição

Atualizado: Terça-feira, 6 Março de 2012 as 8:57

Vários líderes da oposição, incluindo o "blogueiro anticorrupção" Alexei Navalny e o dirigente da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, informaram nesta terça-feira (6) que foram libertados, depois de terem sido detidos na segunda-feira durante um protesto contra a vitória de Vladimir Putin na eleição presidencial que deixou mais de 550 presos.

"Acabo de voltar para casa", escreveu no Twitter Alexei Navalny, que assim como Serguei Udaltsov pode receber uma multa de 2.000 rublos (51 euros) por infração das regras de organização de uma concentração pública, segundo a imprensa.

Ilia Iachin, dirigente do movimento de oposição Solidarnost, detido na mesma manifestação, pode ser condenado a 15 dias de prisão por desobediência às forças de segurança.

Os três líderes foram detidos pela polícia ao fim de um protesto autorizado na praça Pushkin deMoscou, onde na segunda-feira à noite se reuniram 20 mil pessoas, segundo a oposição.

No final do evento, os três dirigentes e 2.000 manifestantes se negaram a deixar o local. A polícia entrou no local e efetuou 200 detenções.

A oposição exigia a anulação da eleição presidencial.

O primeiro-ministro Vladimir Putin, que foi presidente de 2000 a 2008, recebeu 63,6% dos votos na eleição criticada pela missão de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Ato pró-Putin

Por outro lado, 15.000 pessoas se reuniram perto do Kremlin para apoiar Putin, segundo a polícia.

A Comissão Eleitoral divulgou, nesta segunda-feira, os resultados definitivos das eleições presidenciais de domingo.

Putin, que já foi presidente entre 2000 e 2008, obteve 63,60% dos votos, seguido do comunista Guennadi Ziuganov com 17,18%, e do milionário Mikhail Projorov, recém-chegado à política com o consentimento do Kremlin, com 7,98%.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) denunciou nesta segunda-feira, em Moscou, várias irregularidades, particularmente a contagem dos votos "em cerca de um terço dos colégios eleitorais" e tachou de "claramente tendenciosas" as condições da campanha favorável a um candidato.

No domingo, observadores e a oposição asseguraram que tinham constatado numerosas fraudes.

As autoridades russas não responderam ao veredito da OSCE, mas Tatiana Voronova, da comissão eleitoral, citada pela Interfax, denunciou uma visão "politizada" e "inadequada" da situação na Rússia.

O portal control2012.ru, criado para contar os votos, registrou nesta segunda-feira cerca de 6.000 casos de violação da legislação eleitoral, em particular casos de "transporte maciço de eleitores", uma técnica que permite a um grupo votar várias vezes em diferentes seções com autorizações fraudulentas.

A ONG russa Golos afirmou, nesta segunda-feira, que segundo suas próprias estimativas, Putin obteve 50,26% dos votos no primeiro turno e não 64%.

A situação garantiu a realização de eleições democráticas, depois da onda de protestos sem precedentes a partir das denúncias de fraude por parte da oposição e dos observadores independentes nas legislativas de dezembro passado.

Sábado

A oposição russa convocou novas manifestações para o fim de semana.

"Decidimos por uma nova ação em 10 de março", declarou Serguei Parjomenko, um dos organizadores do movimento de protesto sem precedente iniciado após as eleições legislativas de dezembro.

Os líderes das manifestações pretendem organizar uma passeata em Moscou no sábado, que deve terminar na avenida Novo Arbat, perto da sede do governo, onde acontecerá um comício.

Parjomenko informou que o local de concentração ainda deve ser discutido com a prefeitura de Moscou.

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