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Palestinos do Hamas aceitam acordo de reconciliação com o Fatah

Palestinos do Hamas aceitam acordo de reconciliação com o Fatah

Atualizado: Quarta-feira, 11 Novembro de 2009 as 12

Palestino passa em frente a muro com imagem do líder Yasser Arafat; anúncio de que o Hamas vai aceitar acordo com o Fatah foi feito no dia em que palestinos lembram cinco anos da morte de Arafat

O partido e grupo fundamentalista palestino Hamas assinará no final deste mês o acordo de reconciliação com o partido moderado Fatah, promovido pelo Egito. Os dois grupos romperam em 2007, quando o Hamas não aceitou a vitória da maioria do Fatah nas eleições palestinas, passando a controlar a Faixa de Gaza, enquanto os moderados ficaram no comando da Cisjordânia.

O acordo já foi firmado pelo Fatah. Segundo o presidente do Parlamento palestino e dirigente do movimento islâmico Hamas, Aziz Dweik, o grupo ''assinará o acordo de reconciliação no final de novembro. Os palestinos receberão boas notícias que acalmarão seus corações''.

Dweik disse ao jornal Al Quds al Arabi, editado em Londres, que o movimento islâmico assinará o acordo porque ''recebeu garantias do Egito de que suas observações sobre o mesmo serão levadas em conta''.

Cairo faz a mediação há mais de um ano para reconciliar o Hamas e o Fatah - movimento liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas - em conflito desde que o movimento islâmico expulsou de Gaza as forças leais a Abbas.

Fatah aceitou acordo, mas Hamas pediu mudanças

No mês passado, o Fatah assinou o acordo de reconciliação apresentado pelos negociadores egípcios, enquanto o Hamas pediu algumas mudanças na proposta, o que levou Abbas a convocar pouco depois eleições legislativas e presidenciais para janeiro, dizendo depois que não sairá candidato, para temor dos líderes ocidentais.

Dweik, de 60 anos, que saiu da prisão em junho após cumprir três anos de condenação em uma prisão israelense, reconhece no jornal que ''várias partes, tanto do interior quanto do exterior, colaboraram para que as facções palestinas se reconciliem''.

Fontes palestinas citadas pela ''Al Quds al Arabi'' referem-se precisamente a Turquia e Síria, onde está a direção no exílio do Hamas, que teriam pressionado o movimento islâmico para que aceitasse o documento. As fontes confirmaram também que Cairo ofereceu determinadas garantias ao Hamas para que aceitasse a proposta.

Líder do Hamas quer Presidência

Na entrevista, Dweik também fala da possibilidade de que ele fique na Presidência palestina de forma interina, se Abbas deixar o cargo antes da realização de novas eleições. ''Segundo a Lei Básica, se o presidente renunciar, eu me transformo no presidente da Autoridade Nacional Palestina, e garanto que convocaria eleições gerais para 60 dias depois'', disse.

O presidente do Legislativo palestino foi detido por Israel em 2006, pouco depois da captura do soldado Gilad Shalit, em 25 de junho daquele ano, por três grupos palestinos de Gaza, entre eles o Hamas. Israel esperava utilizar Dweik e outros cerca de 35 deputados palestinos que deteve no mesmo ano como carta de troca para libertar Shalit.

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