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Papa discute futuro dos Legionários de Cristo em reunião

Papa discute futuro dos Legionários de Cristo em reunião

Atualizado: Sexta-feira, 30 Abril de 2010 as 11:45

O papa Bento 16 recebeu nesta sexta-feira, no Vaticano, os cinco bispos que realizaram uma inspeção da congregação mexicana Legionários de Cristo, cujo fundador, o falecido padre Marcial Maciel, abusou por décadas de jovens seminaristas.

O encontro mostra a importância que o caso ganhou para o papa, que enfrenta uma das piores crises da Igreja Católica, com centenas de denúncias de abuso sexual contra crianças, em vários países, além das críticas pelo acobertamento dos padres pedófilos.

O caso contra o padre Maciel está sendo observado de perto, diante da pressão crescente contra o Vaticano para confrontar os abusos sexuais em suas instituições.

O papa não participaria, inicialmente, do encontro entre o cardeal Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano, e os bispos que investigam a poderosa congregação mexicana. Segundo o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, o papa decidiu aparecer e cumprimentar os presentes e não deve permanecer durante toda a sessão.

Bento 16 deverá decidir sobre o futuro da congregação mexicana quando os informes apresentados forem avaliados.

Esta foi a primeira reunião que será celebrada depois da investigação determinada pelo papa, em 2009, depois que os legionários descobriram que Maciel era pai de uma mulher de cerca de 20 anos, que.vive na Espanha.

Os legionários descobriram ainda que Maciel, que morreu em 2008, aos 87 anos, abusou sexualmente de seminaristas. Ao menos dois homens alegam ser filhos do padre.

Os cinco inspetores, todos bispos apontados pelo Vaticano, passaram oito meses visitando as comunidades legionárias para descobrir mais sobre seu trabalho.

Um comunicado deve ser divulgado após a sessão, apesar de Lombardi ter tido, no começo da semana, que nenhuma decisão deve ser tomada.

O caso de Maciel é visto como emblemático da inação do vaticano diante das denúncias de abuso. Nos anos 90, um grupo de vítimas processou o grupo, pedindo um julgamento canônico para Maciel. O processo foi impedido pelos aliados de Maciel no Vaticano.

O papa João Paulo 2º elogiava os legionários por sua ortodoxia e capacidade de abrir verba e missionários para a Igreja Católica.

Em 2006, um ano depois da nomeação de Bento 16, o Vaticano instruiu Maciel a "viver reservadamente, orando e em penitência", como resposta às denúncias de abuso.

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