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Papa fala em ''tormento'' e diz não se sentir só

Papa fala em ''tormento'' e diz não se sentir só

Atualizado: Terça-feira, 20 Abril de 2010 as 12

No dia em que completou cinco anos de pontificado, em meio a denúncias de pedofilia entre o clero, Bento XVI afirmou, em almoço com 46 cardeais, que, nesses momentos de "tormento", não se sente só e assegurou que confia no conforto de Deus.  

A Igreja tem enfrentado críticas porque teria evitado entregar padres pedófilos à Justiça para preservar a instituição. Mas em carta para todos os padres do mundo divulgada ontem pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, a Igreja voltou a afirmar que não pretende "esconder ou minimizar esses crimes".

"É verdade que, apesar de proporcionalmente poucos em número, padres cometeram horríveis e sérios crimes de abuso sexual contra menores, que devemos condenar de uma maneira absoluta", diz a carta, que convida os padres a irem a Roma no dia 11 de junho, quando termina o Ano do Vaticano para os Padres. O texto também afirma que "esses indivíduos devem responder por seus atos perante Deus e tribunais, incluindo as cortes civis".

No fim de semana, durante viagem a Malta, onde se encontrou pela terceira vez com vítimas de abusos, o papa disse que a Igreja "está ferida por nossos pecados, mas Cristo ama a Igreja e seu Evangelho é a verdadeira força que purifica e cura". Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, o encontro transcorreu em um "clima de serenidade, de esperança, de emoção e de muita profundidade, de cura e reconciliação". Uma das vítimas afirmou que o papa chorou.

"Nesse momento, o papa sente, com força, que não está só. Sente que tem ao seu lado todo o colégio cardinalício, que com ele compartilha tormentos e consolo", informou ontem o jornal do Vaticano, L"Osservatore Romano.

Durante o almoço, na Sala Ducal do Palácio Apostólico, os cardeais parabenizaram o papa pelo quinto aniversário de pontificado, "que conduz com grande generosidade", conforme o cardeal Angelo Sodano. O almoço, no qual foi servido arroz, lombo e bolo de chocolate à moda austríaca, foi o único evento comemorativo do aniversário do pontificado e do papa, que fez 83 anos na sexta-feira.

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