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Paquistão e EUA tentam driblar repercussão de telegramas

Paquistão e EUA tentam driblar repercussão de telegramas

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 12:08

O primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, se reuniu nesta quarta-feira com o embaixador americano em Islamabad, Cameron Munter, que ressaltou que os telegramas vazados pela organização WikiLeaks não terão "nenhum efeito" sobre a relação entre os países.

Segundo um comunicado da assessoria de imprensa de Guilani, o embaixador destacou que "ambas as partes estão decididas a discutir as interpretações errôneas" com o objetivo de manter "relações bilaterais cordiais a longo prazo".

Guilani lembrou que seu Governo já emitiu uma reação oficial sobre os vazamentos e acrescentou que o Executivo irá se assegurar "de que os interesses nacionais do Paquistão não sejam comprometidos" de nenhuma forma.

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, o chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, e o próprio Guilani aparecem em vários dos documentos da embaixada americana em Islamabad, frequentemente elaborados pela ex-chefe da representação diplomática Anne W. Patterson.

Segundo o relato de Anne - presente em um relatório confidencial de agosto de 2008 divulgado pelo site do WikiLeaks -, o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, sugeriu em reunião manter os ataques de aviões espiões americanos nas áreas tribais do Paquistão contra alvos insurgentes até que fosse finalizada uma operação antitalibã na região de Bajaur.

"Não me importa que façam (os ataques) sempre e quando consigam (atingir) as pessoas corretas. Protestaremos na Assembleia Nacional e depois ignoraremos", afirmou Guilani, segundo a mensagem.

Embora fontes de segurança e inteligência paquistanesas e ocidentais admitam que ambas as partes cooperaram para realizar os ataques, eles continuam bastante impopulares no país e o Governo paquistanês sempre evitou comentá-los em público.

As mensagens refletem opiniões de líderes paquistaneses e as análises da representação americana em Islamabad - às vezes sugerindo políticas que Washington não seguiu - sobre temas como a segurança das instalações nucleares paquistanesas.

Nos documentos, a ex-embaixadora revelou suas dúvidas de que os serviços secretos paquistaneses "tenham abandonado de fato sua política de usar os grupos islâmicos como ferramenta de política externa" e aposta em convencê-los de que isto é "contraproducente".

Apesar disso, Anne ressalta a "vontade" do Governo de lutar contra o extremismo e relata diversas ofensivas do Exército contra os talibãs em vários pontos do Paquistão.    

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