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Para Zelaya, posição do Brasil sobre Honduras evita abertura de precedente

Para Zelaya, posição do Brasil sobre Honduras evita abertura de precedente

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 8:48

O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya ressaltou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o golpe de Estado que o destituiu, um dia depois de o governo brasileiro reiterar sua posição em relação ao caso.

Na semana em que o golpe contra o então mandatário constitucional hondurenho completa um ano, Zelaya explicou que Lula, assim como os demais presidentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), quer que ''não nos aconteça o mesmo do século 20.''

''Que neste novo século não se inicie este turbilhão fascista dos golpes militares promovidos por interesse geopolítico e comercial da potência do norte, os Estados Unidos'', rebateu o ex-líder do país centro-americano, que concedeu a entrevista por e-mail a fim de não colocar em risco seu asilo na República Dominicana.

Zelaya partiu para o exílio após um acordo entre o mandatário dominicano, Leonel Fernández, e o atual chefe de governo de Honduras, Porfirio Lobo, que venceu as eleições realizadas durante o regime de facto e por isso não tem sua administração reconhecida por parte da comunidade internacional -- inclusive a maioria dos membros da Unasul, liderados por Lula.

Ontem, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência brasileiro, Marco Aurélio Garcia, apontou que a reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade da qual a nação foi suspensa após a ação contra o regime democrático que instaurou o governo de facto de Roberto Micheletti, dependeria da anistia do ex-presidente.

A reincorporação do país centro-americano à OEA continua a ser rechaçada por nações como Venezuela, Equador e Argentina, além do Brasil, ainda que outros governos da região - como Peru e Colômbia - defendam a iniciativa.

Garcia relembrou que na última assembleia geral do organismo muitos dos presentes concluíram que ''não foram reunidas as condições'' para a reintegração, já que ''todos foram anistiados em Honduras, inclusive os golpistas, menos o presidente Zelaya'', o que seria ''imprescindível''.

Sica

Também os países da América Central -- reunidos no Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) -- não conseguiram chegar a um consenso sobre o tema. Embora já tenham reconhecido o governo de Lobo, com exceção da Nicarágua, em encontro realizado entre terça-feira e quarta-feira no Panamá os líderes da região terminaram os debates sem um posicionamento comum sobre o tema.

Zelaya também fez elogios a Lula, definido por ele como um ''patriota americano de primeira qualidade'' e ''o melhor que poderia acontecer ao Brasil e à América do Sul nos últimos cem anos''.

''Suas democráticas e progressistas posições obedecem a sua consciência de classe e seu conhecimento da realidade de nossos povos explorados da América Latina'', exaltou.

Questionado sobre quais seriam suas reivindicações atuais, o ex-mandatário assegurou não necessitar de ''reconhecimento'' e garantiu não trabalhar por isso. ''Sou humanista cristão. Não pratico o hedonismo nem temo a morte'', declarou.

Ele também disse não se arrepender de ter ''enfrentado os Estados Unidos e a oligarquia midiática e econômica de Honduras'', e que está ''pagando um alto preço por isso''.

''Tenho confiança que será retificado e um dia terminará o apartheid, que já tem vários séculos em Honduras, será buscada e então se terá a reconciliação nacional'', acrescentou Zelaya, que atualmente ocupa seu tempo escrevendo um livro sobre democracia e organizando uma fundação.

Por Camilia Brandalise / Caroline Mazzoneto

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