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Parlamento grego vota lei que implementará reajustes

Parlamento grego vota lei que implementará reajustes

Atualizado: Quinta-feira, 30 Junho de 2011 as 8:16

O Parlamento grego começou nesta quinta-feira o debate prévio à votação do projeto de lei que implementará as medidas de austeridade requeridas para que seja mantida a ajuda externa que o país necessita para evitar a quebra.

Segundo lembrou a imprensa local, ao contrário da votação de quarta-feira, a de hoje deve ser uma formalidade, pelo que se espera a aprovação do projeto por maioria absoluta.

O novo plano de ajuste que desbloqueia a ajuda da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário internacional (FMI) para evitar a quebra do país foi adotado ontem com 155 votos a favor, 138 contra e cinco abstenções.

O pacote de medidas estabelece dolorosos cortes de renda da população já a partir de julho, assim como privatizações de empresas estatais, e despertou uma forte rejeição da população.

A sessão de ontem ocorreu em meio a violentas manifestações nos arredores do edifício do Parlamento, com centenas de feridos em incidentes que continuaram até a madrugada desta quinta-feira e que devem continuar hoje.

O início da votação no Parlamento está previsto para as 14h locais (8h de Brasília), e espera-se que o grupo parlamentar socialista, com 154 cadeiras, o apoie em sua totalidade.

RESGATE FINANCEIRO

A aprovação era esperada pelo mercado financeiro, em especial o europeu, que acompanhou o voto com atenção e preocupação --caso as medidas não fossem aprovadas, a Grécia não receberia o dinheiro necessário para evitar um calote da dívida que afetaria toda a zona do euro e que poderia chegar tão cedo quanto mês que vem.

O pacote era defendido há meses pelo governo, que enfrentou greve geral, manifestação e violência nas ruas de Atenas contra os novos cortes.

O premiê grego, Georges Papandreou, se comprometeu nesta quarta-feira a fazer todo o possível para evitar o impacto da dívida do país.

"Não há plano B para salvar a Grécia", insistiu Papandreou na tribuna do Parlamento. "Faremos tudo para evitar ao país o que supõe a bancarrota", declarou, ao recordar o risco de que, neste caso, não poderiam ser pagos salários ou aposentadorias.

A maioria governamental se viu escorada pela deserção de uma deputada da conservadora Nova Democracia, que abandona a disciplina de partido e votará a favor do plano de ajuste. A isso se une a mudança de opinião de um dos deputados dissidentes da formação governamental socialista.

"A votação é crucial para o futuro da Grécia e da Europa, e não posso assumir a responsabilidade que meu país empobreça nem a derrubada da UE", afirmou o deputado Thomas Rombopoulos durante o debate parlamentar prévio à votação.

O plano de austeridade proposto pelo governo socialista inclui privatizações, novos impostos sobre renda e propriedades e cortes de salários e aposentadorias --incluindo € 6,5 bilhões em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais ainda neste ano.

Está prevista também a redução da força de trabalho do setor público em 25%, ao mesmo tempo que será elevada a 40 horas semanais a carga de trabalho e serão estipulados novos contrato com um salário mínimo de € 500 euros.

A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas.

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