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Partidos britânicos negociam governo em Parlamento sem maioria absoluta

Partidos britânicos negociam governo em Parlamento sem maioria absoluta

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 7:29

Veja imagens da votaçãoO líder do Partido Conservador, David Cameron, posa para fotógrafos ao lado da mulher, Samantha; vendedores, conservadores agora tentam negociar coalizão

Com apurações encerradas em 616 dos 650 distritos eleitorais do Reino Unido, o Partido Conservador, de David Cameron, conseguiu 291 dos 650 assentos no Parlamento, contra 247 dos trabalhistas, do atual primeiro-ministro, Gordon Brown, e 51 dos liberais-democratas, de Nick Clegg.

Apesar de apuração ainda não ter se encerrado, é matematicamente impossível que qualquer dos partidos obtenha a maioria absoluta de 326 assentos, necessária para a formação de um governo único. Por isso, os líderes das legendas já iniciaram o processo de negociação na tentativa de formar coalizões - um governo com ministros de mais de um partido -, cenário em que os liberais-democratas ganham importância, podendo se aliar tanto aos conservadores quanto aos trabalhistas.

A estratégia imediata de Cameron foi utilizar o resultado parcial de maioria simples dos conservadores para defender a mudança de governo no Reino Unido.

''Temos que esperar pelos resultados definitivos, mas acredito que já está claro que o governo trabalhista perdeu seu mandato para governar nosso país''.

Para Cameron, não há dúvidas de que o Partido Trabalhista deve deixar o poder.

''O que fica claro a partir destes resultados é que nosso país quer a mudança''.

No sistema político britânico, são os parlamentares que nomeiam o primeiro-ministro. Por isso, em uma câmara sem maioria absoluta, será necessário negociar uma ''junção'' de assentos até que se atinja o número necessário de 326 cadeiras.

Na falta de uma Constituição escrita, a tradição do Reino Unido determina que o primeiro-ministro tem prioridade para negociar coalizões no caso de um ''Parlamento truncado'', como acontece agora.

Brown preferiu não declarar publicamente o que fará, disse apenas que vai governar de forma a garantir a estabilidade do país.

''Meu dever com o país que sai destas eleições é desempenhar um papel para que o Reino Unido tenha um governo forte, estável e de princípios''.

No entanto, vários ministros trabalhistas já citaram a possibilidade de uma coalizão com os liberais democratas. O ministro do Comércio e número dois do governo, Peter Madelson, foi um deles.

''Em princípio, não vejo nenhum problema em tentar dar a esse país um governo forte e estável. As regras prevêem que se houver um 'hung parliament', não é o partido com o maior número de assentos que terá prioridade, mas aquele que estiver no poder''.

O ministro do Interior, Alan Johnson, assegurou que também não via ''nenhum problema'' nessa coalizão.

''Acredito que temos muitas coisas em comum''.

De acordo com as últimas pesquisas divulgadas pelas emissoras britânicas BBC, Sky e ITV, os conservadores terão 305 cadeiras no Parlamento, 21 a menos que a maioria absoluta de 326. Os trabalhistas, por sua vez, devem obter 255 assentos, contra 61 dos liberais-democratas.

Nesse cenário, ainda que os trabalhistas obtenham o apoio dos liberais-democratas, faltarão dez assentos para que obtenham maioria absoluta. Essa diferença terá que ser ''garimpada'' entre os partidos menores, como o Verde ou o Partido Escocês.

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