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Paz na Palestina depende de mudança na postura dos EUA, diz pesquisadora

Paz na Palestina depende de mudança na postura dos EUA, diz pesquisadora

Atualizado: Quinta-feira, 22 Janeiro de 2009 as 12

O cessar-fogo na Faixa de Gaza permitiu uma noite aparentemente tranqüila de domingo, dia 18, para ontem, dia 19, mas de nada vai adiantar se não houver uma mudança de postura dos Estados Unidos e de Israel em relação às organizações palestinas, como o Hamas. Essa é a opinião da diretora adjunta do Programa de Estudos sobre o Oriente Médio da Universidade de Winsconsin, nos Estados Unidos, Jennifer Loewenstein.

"Não é possível evoluir da atual situação para algo parecido com uma paz justa até que os Estados Unidos e Israel reconheçam o Hamas, conversem com ele e deixem território que foi estrangulado até a Faixa de Gaza", afirmou ela, em entrevista à Agência Brasil, por telefone.

Para a pesquisadora, ainda que não existisse o Hamas, haveria da mesma forma a disputa pelo território na Palestina. A questão, lembra Loewenstein, é que Israel não aceita a existência de um Estado palestino na região. "Se há um Estado judeu exclusivista, ele não tem nenhum real desejo de deixar o controle da terra, dos recursos naturais ou de dividir aquele território com outra população que não seja de judeus. Esse é um problema muito sério, porque é racismo, é nacionalismo e é misturado com religião".

Ainda assim, ela acredita que existe solução por meio de três hipóteses: a existência de um Estado que abrigue os dois povos, a criação de dois Estados independentes ou até ou mesmo o surgimento de uma confederação. No entanto, uma mudança na situação do Oriente Médio depende, em grande medida, de uma mudança de postura dos EUA, ressaltou Loewenstein.

Segundo ela, os norte-americanos poderiam mandar uma mensagem clara para Israel: se não deixar os territórios ocupados no final da década de 1960, acaba o apoio militar e econômico. "Há tantas coisas que os norte-amerianos poderiam fazer em questão de horas que fariam uma grande diferença na maneira como Israel age. E o fato de que eles não fazem isso traz mais hostilidade contra os EUA, ao menos na mesma medida em que se acusa Israel pelo atual conflito".

Na opinião da pesquisadora americana, não só os Estados Unidos poderiam agir de forma mais veemente. Outros países deveriam parar de se curvar ao poder dos EUA. "Os árabes são os mais culpados nesse sentido, os chamados Estados árabes modernos. Egito e Arábia Saudita devem se juntar e parar de se curvar à vontade dos EUA".

Para Jennifer, os países árabes traíram e abandonaram o povo palestino. "Eu não me surpreenderia se, nos próximos anos, víssemos muita agitação nas ruas desses países, por causa da natureza patética dessa situação". A pesquisadora avalia que também os europeus e os países latino-americanos poderiam exigir uma mudança de atitude de Israel e dos Estados Unidos, que fornecem armas.

"Eu não digo que isso faria toda a diferença,  mas com certeza colocaria muita pressão sobre os Estados Unidos e mandaria uma mensagem clara para Washington e Tel Aviv de que esse status quo não é mais aceitável". E completou: "quando essas forças pedem um cessar-fogo, elas não conseguem nada, não vai haver um cessar-fogo. Israel mostrou um desprezo absoluto pelas Nações Unidas nas últimas três semanas, eu tenho certeza de que os ataques a alvos da ONU foram deliberados". Por isso, ela defende que outras nações façam como a Bolívia e a Venezuela e rompam relações diplomáticas com Israel.

A população norte-americana, e não só o governo, poderia mudar sua posição em relação ao conflito no Oriente Médio. "O norte-americano educado tem acesso às mesmas informações a que as pessoas no Oriente Médio e no resto do mundo. A questão é por quanto tempo as elites vão continuar servis ao poder e ao controle deste país em Israel", questionou. Segundo ela, esse grupo pode desempenhar um papel muito importante e, de fato, fazer a diferença na política norte-americana. "Eles vão parar de aceitar as mentiras com as quais são alimentados sem questionar?".

Loewenstein afirmou ainda que as perspectivas não mudam mesmo com a posse de Barack Obama. De acordo com a pesquisadora, os assessores que o cercam e que vão compor o seu governo não mostram que vão ser diferentes do que as sucessivas administrações nas últimas cinco ou seis décadas. "Isso não vai ajudar a melhorar a situação".

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