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Petróleo ainda afeta ecossistema do Golfo do México nos EUA

Petróleo ainda afeta ecossistema do Golfo do México nos EUA

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 3:47

Tapetes de petróleo submersos no fundo do mar há mais de um ano depois do maior vazamento de petróleo na história dos Estados Unidos são uma ameaça de longo prazo para os ecossistemas costeiros no norte do Golfo do México, segundo pesquisadores da Universidade de Auburn.

Estudo divulgado nesta semana pelo departamento de engenharia da universidade revelou que "bolas" de alcatrão trazidos para a superfície pela tempestade tropical Lee, que atingiu a costa norte-americana no início de setembro, e depositadas nas praias do Alabama neste mês são composições químicas "essencialmente idênticas" às amostras retiradas dos tapetes depois do vazamento de petróleo da BP, provocado pela explosão da plataforma Deepwater Horizon.

O estudo de engenharia civil, realizado antes, durante e depois que a tempestade tropical chegou às praias do Alabama, indicou que os resquícios do vazamento permaneceram em sua maioria iguais, 17 meses depois que a plataforma Deepwater Horizon explodiu e afundou próximo à costa do Louisiana. Os dados relacionaram diretamente as bolas de alcatrão ao vazamento de mais de 200 milhões de galões de petróleo em 2010.

Imagens mostram que algumas áreas do sul do

estado de Louisiana, nos Estados Unidos, ainda

apresentam grande degradação causada pelo

vazamento da plataforma de petróleo da BP no

Golfo do México, mesmo um ano após o acidente.

(Foto: John Moore/Getty Images/AFP)

  Impacto profundo

O documento científico aponta que "os dados questionam a validade de uma crença amplamente defendida de que o petróleo submerso do acidente da Deepwater Horizon tenha se dissipado e portanto tenha sido reduzida em sua maioria a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos".

Ainda segundo a pesquisa, "existe a hipótese de que o petróleo submerso pode continuar a apresentar um nível de risco de longo prazo aos ecossistemas próximos à costa".

O porta-voz da BP, Scott Dean, disse que a pesquisa da Universidade de Auburn não teve efeito imediato nas ações da empresa, que ainda está lidando com as consequências do vazamento.

"Estamos observando o estudo, mas isso não mudou nosso compromisso e nossa resposta", disse Dean. "Continuaremos a ter equipes coletando bolas de alcatrão enquanto os relatórios chegam", explica. A BP disse que enviou equipes para avaliar o processo de limpeza às áreas afetadas depois da tempestade tropical Lee e providenciou equipes adicionais para a limpeza.

A plataforma naufragou no oceano em 22 de abril de 2010, fato que provocou a maior mancha de óleo registrada nos EUA.

Más decisões

No último dia 14, um relatório das autoridades americanas acusou o grupo petroleiro e várias empresas terceirizadas de responsabilidade na explosão da plataforma.

Depois de 17 meses de investigação, o documento final elaborado pela Guarda Litorânea e do Escritório de Administração, Regulamentação e Supervisão de Energia Oceânica dos EUA (Boemre, na sigla em inglês) conclui que "a causa principal do acidente" que provocou a morte de 11 pessoas, está relacionada com "um defeito no cofre de cimento do poço", que deveria ter impedido que o petróleo e o gás subissem à superfície.

Os investigadores acusam também a gigante petroleira BP de ter tentado ganhar tempo e reduzir custos sem considerar as consequências. Mas o relatório atribui também responsabilidade às equipes na plataforma, propriedade do grupo suíço Transocean, que continuaram seu trabalho apesar dos riscos e sinais de problemas.

* Com informações da Reuters, France Press e EFE.

Em 20 de abril, a explosão de uma plataforma de petróleo matou 11 pessoas

 e causou o pior vazamento de óleo da história dos EUA. Cerca de cinco mi

l barris de óleo fluíram diariamente por três meses até o vazamento ser contido,

 em julho (Foto: Gerald Herbert/AP)          

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