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Polícia cubana prende 16 opositores na província de Villa Clara

Polícia cubana prende 16 opositores na província de Villa Clara

Atualizado: Quinta-feira, 27 Janeiro de 2011 as 4:20

O opositor cubano Guillermo Fariñas, Prêmio Sakharov 2010, foi libertado depois de permanecer sete horas detido junto a outros vinte opositores em uma delegacia da cidade de Santa Clara.

'Estamos em liberdade. Havíamos sido detidos por demonstrar solidariedade para com uma família que ia ser despejada. A oposição pacífica deve fazer pedidos cidadãos como o que fizemos', afirmou Fariñas por telefone.

Fariñas havia sido detido na noite de quarta-feira na cidade de Santa Clara, região central de Cuba, ao lado de outros dissidentes, conforme informou a mãe do militante, Alicia Hernández.

'Conversei com ele, que me disse que estava detido na terceira unidade da polícia em Santa Clara. Estava com outros (opositores) vendo uma família que seria desalojada e até esta hora da noite não o soltaram', disse à AFP, por telefone, de Santa Clara, que fica a cerca de 280 km ao leste de Havana.

O presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos - considerada ilegal pelo governo -, Elizardo Sánchez, afirmou à AFP que Fariñas, um psicólogo de 48 anos que protagonizou uma greve de fome de 135 dias ano passado, foi detido ao lado de outros 15 opositores.

De acordo com as fontes, Fariñas havia deixado sua casa em Santa Clara - capital da província de Villa Clara - junto com um grupo de pessoas com quem estava realizando uma oficina de imprensa e depois foram para um sítio onde a polícia despejou uma família acusada de ocupar o local ilegalmente.

'É impossível falar com ele. Ele conversou com a mãe, não tenho detalhes do que aconteceu, porque estou com nossa filha. Minha esperança é que esteja bem', declarou, por telefone, Clara Pérez, de 50 anos, esposa de Fariñas e que está na cidade de Camajuaní, também em Villa Clara.

Um dia depois da morte do preso opositor Orlando Zapata Tamayo, em 23 de fevereiro de 2010, depois de 85 dias de greve de fome, Fariñas iniciou uma greve de fome para pedir a libertação de prisioneiros políticos.

O dissidente suspendeu sua greve de fome em 8 de julho, 135 dias depois, quando o governo de Raúl Castro - que substituiu seu irmão Fidel em 2006 -, em um inédito diálogo com a Igreja, autorizou a libertação de 52 opositores que ficaram na prisão de um grupo de 75 presos e condenados em 2003.

Um total de 41 dos 52 já foram libertados, 40 aceitaram imigrar e partiram para Madri, um ficou em Cuba e os 11 restantes se negam a ir para a Espanha e permanecem na prisão.

O governo atribui condutas 'antissociais' a Fariñas, terceiro opositor cubano a receber o Prêmio Sakharov - Oswaldo Payá em 2002 e as Damas de Branco em 2005 -, e o considera, como o resto dos dissidentes, um 'mercenário' de seu inimigo Estados Unidos.

Premiado por ser um 'lutador da liberdade e dos direitos humanos', Fariñas foi representado por uma cadeira vazia em 15 de dezembro na cerimônia de entrega do Sakharov em Estrasburgo, pois não recebeu autorização oficial para viajar.

De formação militar, oriundo de Santa Clara e filho de dois fervorosos revolucionários, Fariñas se distanciou do governo em 1989, quando se opôs ao polêmico fuzilamento do general Arnaldo Ochoa, acusado de narcotráfico. A partir de então, iniciou sua atividade opositora e foi preso em três ocasiões.    

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