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Polícia reprime manifestantes que pediam saída de ministros na Tunísia

Polícia reprime manifestantes que pediam saída de ministros na Tunísia

Atualizado: Segunda-feira, 24 Janeiro de 2011 as 2:35

A polícia da Tunísia usou nesta segunda-feira (24) gás lacrimogêneo para tentar dispersar manifestantes que exigiam a demissão de ministros ligados ao ex-presidente Zine al Abidine Ben Ali no gabinete de coalizão do país.

A manifestação era composta principalmente por camponeses pobres que acamparam durante a noite em frente ao gabinete do primeiro-ministro, e que quebraram vidraças no Ministério das Finanças, perto dali.

O primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi e outros membros do antigo regime estão sob crescente pressão popular para deixarem seus cargos, pouco mais de uma semana depois da fuga de Ben Ali, que passou 23 anos no poder.     Mas não está claro quem substituiria o temido partido RCD, hegemônico na Tunísia desde a independência. Partidos de oposição existem, mas são pouco conhecidos. Um grupo islâmico até agora proscrito defendeu a realização de eleições antecipadas, e pode receber bastante apoio.

O chanceler Kamel Morjane, um dos egressos do governo de Ben Ali, disse que ao menos por enquanto não pretende renunciar. "Quanto ao meu cargo de ministro, eu o vejo como uma forma de ajudar meu país num momento difícil. Não estou insistindo em ficar no governo", afirmou ele ao jornal francês "Le Fígaro".  

Ele disse que seu maior temor é de que o país "mergulhe no caos".

Há vários dias manifestantes se aglomeram, em quantidades restritas, diante do gabinete do premiê. Eles têm apoio popular e vinham sendo tolerados pelos policiais, também preocupados com seu futuro pós-Ben Ali.

No domingo, após um fim de semana calmo, centenas de pessoas que haviam chegado à capital numa "caravana da liberdade" cercaram o prédio onde trabalha o primeiro-ministro, no centro de Túnis. Muitos eram de Sidi Bouzid, localidade no centro do país que foi o epicentro da "Revolução de Jasmim", iniciada após o suicídio de um jovem vendedor de legumes.

"Estamos marginalizados. Nossa terra é propriedade do governo. Não temos nada", disse Mahfouzi Chouki, que vive perto de Sidi Bouzid, 300 quilômetros ao sul de Túnis.

Os manifestantes dizem que não permitirão que o legado de Mohamed Bouazizi, que se autoimolou em protesto contra a pobreza e a opressão, termine com a fuga de Ben Ali para a Arábia Saudita e com o estabelecimento de um governo dominado por seus seguidores. 'As pessoas querem que esse governo caia', gritavam eles.    

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