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Porto Príncipe tenta voltar à normalidade em meio a cenário de guerra

Porto Príncipe tenta voltar à normalidade em meio a cenário de guerra

Atualizado: Segunda-feira, 18 Janeiro de 2010 as 12

Ainda com corpos na rua, com escombros a serem removidos, com cheiro de morte espalhado pela cidade, Porto Príncipe, a capital haitiana destruída pelo terremoto que atingiu 7 graus de magnitude, tenta retomar um pouco da normalidade, mesmo em cenário de guerra.

No comércio formal, os mercados que não foram destruídos continuam fechados, com medo de saques. Mas nas calçadas, os haitianos voltaram a vender de tudo: legumes, frutas, pedaços de frango assado na brasa, refrigerantes, cana-de-açúcar cortada em pedaços, qualquer coisa que tenha sobrado da tragédia virou mercadoria.

Alguns telefones celulares já voltaram a funcionar. Energia elétrica só é encontrada em alguns pontos da cidade servidos por geradores particulares. As taps-taps, o transporte coletivo urbano mais popular, continuam a circular extremamente lotadas e a engrossar o caótico trânsito de Porto Príncipe. São veículos totalmente enfeitados e bem coloridos que fazem o serviço de transporte urbano. Além da taps-taps, há o serviço de mototaxi que também funciona a todo vapor.  As filas para comprar gasolina são enormes.

Nos escombros removidos e jogados na beira da estrada que dá acesso à República Dominicana, vários haitianos passaram o domingo (17) martelando pedaços de lage para remover as ferragens. A venda de um monte pequeno de ferro na cidade pode render, segundo um haitiano, 200 gourdes, o equivalente a US$ 5. A quantia ainda seria dividida com outros três companheiros depois de levarem a pé a carga até a cidade, que fica a cerca de 30 quilômetros.

A tentativa de voltar à normalidade também está nas igrejas. Muitos haitianos procuram as igrejas, tanto católicas quanto evangélicas, para o culto ou a missa dominical.

Hoje, o batalhão brasileiro deu início ao enterro dos corpos em um terreno fora da cidade. As covas  foram cavadas com 20 metros de extensão e dois metros de largura. Em cada cova, os militares colocaram 20 corpos, com uma distância de dois metros e meio entre cada corpo. Antes do enterro, os corpos eram fotografados para possível identificação posterior.

Também entrou em funcionamento nesse domingo o hospital de campanha brasileiro. "Já fizemos algumas cirurgias", disse o médico brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro Guimarães, da Companhia de Engenharia do Exército. O hospital tem capacidade para atender 400 pessoas por dia.

Por: Luciana Lima

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